segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Co-dependência



Quando uma pessoa independente suporta e incentiva a dependência do outro.

Muitas vezes, pensamos que somos a melhor pessoa do mundo porque agradamos aos outros e não a nós mesmos. Interrompemos nossas atividades para atender ao chamado alheio. Fazemos sempre mais do que os outros nos pedem, e, habilidosamente, antecipamos seus desejos e abrimos mão dos nossos com extrema facilidade. Depois, ficamos chateados quando os outros não fazem o mesmo por nós! 

Atenção, se você se identificou com esta curta situação, leia com atenção este texto, pois você pode estar sendo um co-dependente: alguém que acredita ser responsável pela felicidade alheia, mas que pouco cuida da sua...

Semana passada, refletimos sobre a dependência sadia; agora, iremos pensar sobre quando a dependência se torna um fato negativo, isto é, quando uma pessoa independente suporta e incentiva a dependência do outro.

Não é simples perceber que estamos fazendo este papel de salvador, pois os co-dependentes têm muita dificuldade de conhecer seus sentimentos: estão habituados a se sacrificar pelos outros e nem se dão conta de que, em vez de controlar a sua própria vida, dedicam todo o seu tempo a controlar a vida dos outros. 

Como co-dependentes, dizemos sim, mas na realidade queremos dizer não; fazemos coisas que não queremos realmente fazer, ou fazemos o que cabia aos outros fazer. 

Uma atitude co-dependente pode parecer positiva, paciente e generosa, pois está baseada na melhor das intenções, mas, na realidade, é inadequada, exagerada e intrusa. A questão é que os co-dependentes estão viciados na vida alheia e não sabem mais viver a sua própria. Adoram dar, mas detestam receber, seja atenção, carinho ou ajuda. Desta forma, quanto mais se dedicam aos outros, menos autoconfiança possuem. Afinal, desconhecem os seus próprios limites e necessidades!

A co-dependência se inicia quando uma pessoa, numa relação comprometida com um dependente, tenta controlar seu comportamento na esperança de ajudá-lo. Como conseqüência dessa busca mal sucedida de controle das atitudes do próximo, a pessoa acaba perdendo o domínio sobre seu próprio comportamento e vida.

Em outras palavras, se ao nos dedicarmos aos outros estivermos nos abandonando, mais à frente teremos de nos confrontar com as conseqüências de nossa atitude ignorante. 
Reconhecer nossos limites e necessidades é tão saudável quanto a motivação de querer superá-los. 

Sentir a dor do outro não quer dizer ter que repará-la. Este é nosso grande desafio: sentir a dor com o intuito simplesmente de nos aproximarmos dela, em vez de querer transformá-la de modo imediato.

É preciso deixar claro que ter empatia não tem nada a ver com a necessidade compulsiva de realizar os desejos alheios, própria dos relacionamentos co-dependentes. 

Stephen Levine, em Acolhendo a pessoa amada (Ed. Mandarin), nos dá uma boa dica para identificarmos se nossos relacionamentos são saudáveis ou não: Na co-dependência, as balanças sempre pendem para um lado. É freqüente que um tenha de estar ‘por baixo’ para que o outro se sinta ‘por cima’. Não há equilíbrio, somente a temida gravidade. Em um relacionamento equilibrado não há um ‘outro dominante’; os papéis estão em constante mudança. Quem tiver o apoio mais estável sustentará a escalada naquele dia.

A troca equilibrada entre ceder e requisitar, dar e receber afeto e atenção nos aproxima de modo saudável das pessoas que nos cercam sem corrermos o risco de criar vínculos destrutivos. Assim como esclarece John Welwood, Em busca de uma psicologia do despertar (Ed.Rocco): O paradoxo do relacionamento é que ele nos obriga a sermos nós mesmos, expressando sem hesitação e assumindo uma posição. Ao mesmo tempo, exige que abandonemos todas as posições fixas, bem como nosso apego a elas. O desapego em um relacionamento não significa que não tenhamos necessidades ou que não prestemos atenção a elas. Se ignoramos ou negamos nossas necessidades, cortamos uma parte importante de nós mesmos e teremos menos a oferecer ao parceiro. O desapego em seu melhor sentido significa não se identificar com as carências nem com as preferências e aversões. Reconhecemos sua existência, mas permanecemos em contato com nosso eu maior, onde as necessidades não nos dominam. A partir desta perspectiva, podemos escolher afirmar nosso desejo ou abandoná-lo, de acordo com as necessidades do momento.

A empatia começa com a capacidade de estarmos bem conosco mesmos, de reconhecermos o que não gostamos em nós e admirarmos nossas qualidades. Quanto melhor tivermos sido compreendidos em nossas necessidades e sentimentos quando éramos crianças, melhor saberemos reconhecê-las quando adultos. 

Entrar em contato com os próprios sentimentos é a base para desenvolver a empatia. Como alguém que desconhece suas próprias necessidades poderá entender as necessidades alheias?

Se você quiser ler mais sobre a co-dependência, leia o livro: Co-dependência nunca mais de Melody Beattie (Ed. Record). Abaixo, seguem alguns itens que, segundo a autora, os co-dependentes adoram fazer:

- Considerar-se e sentir-se responsável por outra(s) pessoas(s) – pelos sentimentos, pensamentos, ações, escolhas, desejos, necessidades, bem-estar, falta de bem-estar e até pelo destino dessa(s) pessoa(s).
- Sentir ansiedade, pena e culpa quando a outra pessoa tem um problema.
- Sentir-se compelido – quase forçado – a ajudar aquela pessoa a resolver o problema, seja dando conselhos que não foram pedidos, oferecendo uma série de sugestões ou equilibrando emoções.
- Ter raiva quando sua ajuda não é eficiente.
- Comprometer-se demais.
- Culpar outras pessoas pela situação em que ele mesmo está.
- Dizer que outras pessoas fazem com que se sinta da maneira que se sente.
- Achar que a outra pessoa o está levando à loucura.
- Sentir raiva, sentir-se vítima, achar que está sendo usado e que não senta sendo apreciado.
- Achar que não é bom o bastante. 
- Contentar-se apenas em ser necessário a outros.

6 comentários:

  1. Me sinto muito bem em servir mas, quando começam a abusar de minha servidão fico muito bravo. Seu texto é corretíssimo.
    Abraços forte

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  2. Não sei se percebi muito bem... co-dependente é aquele que tenta ajudar o dependente a deixar de ter tantos problemas relacionados com a substância e se deixa abater caso nao o consiga?

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  3. Achei ótimo o texto, está bem claro como é ser um codependente, eu já fui uma, e digo que o mais difícil é você perceber que está tão adoecido quanto o dependente. É um estado de anulação em que nos colocamos e que não nos damos conta, porque na verdade, após um tempo, sentimos a necessidade de estarmos envolvidos naquele cilco viciso do dependente.

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  4. Olá!Estou passando por aqui para deixar um desabafo!
    Sou casada com um dependente do crack!
    Confesso que nos ultimos tempos estou sentindo como se a dependente dessa morte fosse eu.
    Nossa que dias difíceis.Que sombra negra.Antes eu tinha meu esposo para namorar,jantar,passear,dar risadas,viajar,fazer amor ... e hoje tenho ele no fundo do poço por conta dessa maldita droga.
    Nossa convivência se torna cada dia pior.
    Ninguém sabe o que estamos passando,sinto vergonha de contar,pois não tenho ninguém que eu possa confiar.A sociedade é muito preconceituosa.Um dos motivos da minha vergonha.
    O preconceito começa dentro de casa mesmo.Minha familia jamais aceitaria uma condição dessa,a que estou vivendo e a condição de ajudar meu esposo sair dessa.Eles não aceitam.
    Estou cada dia pior,minha auto-estima já nem existe mais.Os quilos que ele perdeu nesse um ano (25K)confesso que metade perdi junto com ele.Não sinto vontade de nada,nem de comer,nem beber,não saio,não tenho amigos,minha vaidade se foi.Tem dias que nem vontade de tomar banho eu tenho.
    Não sei o que fazer.Nem por onde começar.Já pensei por muitas vezes ir embora de casa,mais sei que se eu fizer isso a situação vai se agravar ainda mais.
    Ele conseguiu destruir meu sentimento por ele mais mesmo assim não quero deixar-lo nessa luta sozinho.Ele é um ser humano como todos nós.
    Não estou sabendo lidar com ele.Depois de um ano fumando mesclado a noite toda,deixando algumas vezes até a higiene de lado,ele é muito trabalhador.Temos um comércio,era tudo que ele sonhava em ter.
    Hoje vejo o sonho dele destruido,pois sei que nosso comércio não vai ficar bem se ele não estiver no comando.
    Essa semana ele assumiu que precisa de ajuda.Quer parar com essa vida.Ficou 3 dias limpo.Passou muito mal,extremamente nervoso,com dores no corpo,dores no estômago.Durou somente 3 dias,e começou tudo de novo!
    Tenho fé que encontrarei uma saida.
    É muito triste viver assim e mais triste ainda ver uma pessoa que a gente ama nessa situação.
    vou começar a frequentar o amor exigente semana que vem.Tenho esperança que ele toma uma atitude de procurar uma ajuda profissional.
    É isso amigos,um desabafo de uma co-dependente.
    Abraços .
    Kaka!

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  5. Sou co-dependente de carteirinha e luto todos os dias contra essa minha doença,desde criança sempre quis cuidar dos outros,meus pais,irmãos,e assim foi...conheci meu esposo um adicto,onde lutei achando que iria conseguir tira-lo das drogas do meu jeito,qdo cheguei no fundo de poço maior de minha vida resolvi retornar ao naranon,pois cheguei a frequentar mas queria uma solução imediata e não é desta maneira depois de mais de um ano de reunião e seguindo sugestões dos companheiros(as),compreendi que eu tinha que viver a minha vida,não deixaria de ama-lo,mas não aceitava a vida que ele levava e nem as drogas que usava,depois de uma intervenção criada por mim e claro muitas sugestões dos companheiros,meu marido aceitou se internar,claro que foi ¨sobre livre e espontânea pressão¨e hoje,só por hoje já fazem 16 anos que está em recuperação e hj é um terapeuta na área de dpq com dois centros de tratamento,vivemos bem,temos nossas dificuldades,pois como disse no início sou uma co-dependente sempre procurando usar o programa para meu benefício,assim tb me tornei uma pessoa melhor,cuido mais de mim,tenho amor próprio,mas sei que preciso de manutenção contínua,mas vamos em frente porque perfeito foi só Jesus e ainda assim foi crucificado,não é mesmo? meu email pessoal rosanalima2009@hotmail.com

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  6. venho na luta contra o alccol(mãe),crak(marido)há tres longos anos,sou codependente cada dia estou deixando de viver um pouquinho,já estou no estremo no fim das minhas forças,este blog tem muita importancia para mim e aonde busco forças para contiuar preciso de um caminho para sair desta escuridão postem relatos perciso muito deles.

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