domingo, 27 de fevereiro de 2011

Drogas: numa abordagem social complexa



No fim de novembro de 2.010, numa ação televisionada e que envolveu esforços das polícias civil, federal, militar e ainda o apoio das forças armadas, o "Morro do Alemão", no Rio de Janeiro, se viu liberto do tráfico de drogas.

Num espetáculo quase cinematográfico os bandidos foram expulsos de seus quartéis generais, e a paz e a segurança voltaram àquela megafavela carioca, depois de décadas de opressão dos criminosos.

A rapidez com que o "Morro do Alemão" foi liberto dos traficantes traz a falsa e inocente impressão de que é fácil enfrentar e conter o problema das drogas. Em verdade, o que vimos no Rio de Janeiro não foi a destruição de instituições criminosas, mas tão somente a expulsão das mesmas para outras regiões, onde poderão se reorganizar e voltar à sua rentável rotina de crimes.

A expansão do tráfico de drogas no Brasil é fato facilmente perceptível, o que demonstra a absoluta inaptidão e ineficiência de nossas autoridades em desenvolver e aplicar um programa integrado de combate e controle do mesmo.

O Brasil tem fronteiras terrestres mais de quinze mil quilômetros de extensão, a grande maioria desta com vigilância precária ou inexistente, dando todas as condições para que drogas e armas adentrem ao país, vindos, sobretudo, da Colômbia, Paraguai e Bolívia. Nosso espaço aéreo tem um policiamento extremamente falho, especialmente em áreas pouco povoadas de Mato Grosso e Amazonas.

Lado outro, o tráfico de drogas encontra-se cada vez mais organizado, mantendo uma estrutura com administração quase empresarial, que movimenta grandes quantias em dinheiro, e conta com a participação de agentes estatais corrompidos.

Hoje no Brasil a pena para quem incorre no delito de tráfico de drogas é de no máximo quinze anos, podendo o condenado submeter-se a progressão de regime. Ora, os chefões do tráfico nunca se ressocializarão, pois os ganhos do crime sempre serão atraentes. Logo, estas pessoas devem ficar o máximo de tempo possível afastadas do convívio social, pelo bem da sociedade, que só tem a perder com estas presenças deletérias.

Mais do que manter os traficantes por um prazo razoável na prisão, esta deve ser capacitada a impedir o criminoso de, mesmo recluso, comandar sua organização criminosa, como se tem visto atualmente.

Por fim, não basta coibir o tráfico, deve-se atuar na sua razão de ser, que é o consumo de drogas. Muitos dos usuários, talvez a maioria, tem interesse em abandonar o vício e retomar uma vida saudável e feliz, porém, é fato que o sistema público de saúde não dispõe de estrutura e de programas adequados à abordagem e enfrentamento consistente do problema.

A complexidade da problemática das drogas demanda não apenas o uso da força, mas também da inteligência e de um desenvolvimento de programas que, atuando sobre os usuários, reduzam o mercado consumidor dos entorpecentes.

Diante da problemática das drogas não devemos nos iludir e imaginar que a solução é simplória. Somente com uma ação integrada de diversos setores do estado, não apenas com o uso da força poderemos ver o tráfico de drogas, se não integralmente debelado, pelo menos minimizado e controlado.

O ideal é parar de tratar os sintomas e curar o mal pela raiz.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A curva da recaída de dependentes químicos e alcolistas

Características da Dependência Química. 

1) É uma doença crônica que leva a pessoa a progressiva mudança de comportamento, gerando adaptação à doença, uso dos químicos com a finalidade de proteger o uso dos químicos

2) Ë UMA DOENÇA DE NEGAÇAO, IMEDIATISMO E ISOLAMENTO.

3) É UMA DOENÇA COM TENDÊNCIA A RECAÍDA.

O tratamento



O Tratamento exige do paciente uma verdadeira reeducação em todas as áreas afetadas, paralelamente a uma profunda revisão em seu sistema de crenças.
A recuperação/tratamento pode levar o dependente a uma verdadeira luta interna, "entre as suas limitações, do ser doente e do querer ser normal". O dependente deve abrir mão dos “ganhos secundários" que a doença oferece.
O dilema do D. Q. não é ir à primeira dose, é a sua inabilidade de lidar com a vida sem usar".
Assim como o uso abusivo de químicos é apenas um dos sintomas da dependência química, a abstinência total é apenas o primeiro passo na direção da recuperação.
RECUPERAÇÃO = Abstinência total + Reformulação (mudança no estilo de vida).



OS ASPECTOS FACILITADORES DA RECAÍDA

1) O Estigma - Tanto o indivíduo como a sociedade têm memória.
2) A Negatividade – É conseqüente da própria inabilidade de viver
3 ) Diagnóstico e Conduta Equivocados - Por ser uma doença de negação, o relacionamento do D. Q. com os profissionais de saúde pode ser pautado por mentiras, meias-verdades, minimizações, etc. e ‘induzir’ o médico a um erro.
A dependência química é uma doença de negação. e a negação é reativada tão quanto os sintomas da recaída. antes de usar.


O ESQUEMA GERAL DAS RECAÍDAS

A Recaída é um processo que culmina com o uso.

EXPECTATIVA DESMEDIDA

FRUSTRAÇÃO/MÁGOA
RAIVA/RESSENTIMENTO

CULPA/ AUTOPI EDADE
ISOLAMENTO
DROGAS/ÁLCOOL

Com o comportamento emocional no processo recaída, se passa a acreditar que há somente três saídas:

Loucura, suicídio ou voltar a usar.

A instrução sobre o processo da Recaída é o principal e mais apropriado meio de ajudar o D. Q a identificar e controlar a Potencial de Recaída de sua doença.

" A recuperação, começa a acontecer quando o dependente químico admite e aceita sua dependência e se entrega ao tratamento por toda a vida, um dia de cada vez.

Existem sinais/sintomas na abstinência que denunciam a entrada no Processo da Recaída:

a) O Porre Seco- Intolerância crescente, irritabilidade constante;
b) O Porre Adormecido- Apatia, desmotivação, inatividade; 
c) A Grandiosidade = Onipotência – “Eu sei tudo, tenho todas as respostas / as certezas”.
d) O Desafio –“Eu posso tudo, só não posso me drogar” - a freqüência a locais de ativa/ o relacionamento com pessoas que estão se drogando.
O dependente químico é responsável por todo o seu comportamento e decisões que acompanham a recaída.


A curva da recaída


1 ) Mudança na percepção da doença e das necessidades do tratamento
2) Mudança no comportamento. Antigos padrões de comportamento voltam a ser atuados.
3) Tenta impor o seu padrão individual de recuperação aos outros.
4) Comportamento compulsivo ( sexo, comida, trabalho, compras, etc. ).
5) Foge ao confronto.
6) Comportamento impulsivo, intempestivo, com “ataques de raiva”.
7) Inclina-se para o isolamento.
8) Tendência para "Visão de Túnel".
9) Pensamento desejoso começa a substituir o pensamento realístico.
10) Foge através do sono.
11) Persegue objetivos irrealísticos. Planos começam a falhar.
12) Concentração é substituída pela fantasia.
13) Planos são calcados em metas inatingíveis. Forma-se um padrão de fracasso. Frustração.
14) Pensamentos tipo: " bem que eu tentei, mas não funcionou". começam a tomar corpo.
15) Imaturo desejo de ser feliz.
16 ) Indiferença e desatenção. Mostra-se incapaz de iniciar uma ação e desenvolvê-la.
17) Períodos do confusão mental, aumentando em termos de freqüência, duração e severidade.
18) Irritabilidade e intolerância crescentes, com familiares, colegas de tratamento e amigos.
19) Comportamento explosivo. Inicia fase de perda de controle das emoções.
20) Hábitos irregulares na alimentação. Come em excesso ou não come.
21) Sensação de estar sobrecarregado.
22) Mostra-se incapaz de cumprir compromissos.
23) Começa a faltar às reuniões de tratamento ( Terapia, AA/NA).]
24) Perturbações no sono. Sono agitado, desassossego, insônia.
25) Períodos de depressão. Inclina-se ao isolamento e reage ao contato humano com agressividade.
26) Aumenta a irregularidade às reuniões de tratamento. A freqüência torna-se esporádica.
27) Atitude do “eu não me importo”, disfarça sentimento de desamparo.
28) Pensa em voltar a usar. A abstinência é vista e racionalizada como uma experiência ruim. Acha que usando pode voltar a se sentir melhor.
29) Volta a mentir de modo consciente.
30) Afasta-se por completo dos canais de ajuda.
31) Volta a se sentir bode expiatório de todas as situações
32) Sensação de estar sendo esmagado.
33) Medo de enlouquecer.
34) Pensamento em se matar.
35) Volta a usar drogas/álcool)
36) Tenta controlar o uso e suportar as conseqüências danosas.
37) Perda de controle. (Novo Fundo de Poço).

No processo de recuperação do dependente químico há a necessidade de se ter, sempre, duas habilidades:



1- A habilidade para evitar a entrada no processo de recaída.
2- A habilidade para interromper o processo de recaída.

Plano de intervenção a recaída

1) O paciente é instruído sobre o Processo da Recaída, através da revisão periódica dos sintomas de advertência. O objetivo é identificar os indicadores de que ele está se retirando de uma vida confortável e produtiva, “obrigando-se” a uma recaída.

2) Uma  vez reconhecido os sinais do potencial da recaída começa-se a trabalhar as mudanças necessárias para que o paciente evite entrar e continuar neste processo. 










Respeite a si mesmo



Respeitar a si mesmo em primeiro lugar, 
porque somente desta forma poderá respeitar o outro.
Temos o nosso valor Moral individual, 
e não devemos deixar que a falta de respeito conosco mesmo, 
seja uma porta aberta para nos tornarmos pessoas tristes e solitárias.
Se aprendermos a entender e a reconhecer nossas faltas, 
teremos condições de respeitar as faltas alheias 
e cobraremos menos do outro atitudes, que muitas vezes nós teríamos que ter.
Quando não temos o devido respeito por nós mesmos, 
muitas vezes caminhamos por caminhos tortuosos porque 
o discernimento e o equilíbrio nos faltam, 
deixando-nos com uma capacidade incrível de enxergar 
a vida como se ela fosse nossa inimiga.
Questionamos Deus e sua existência , sem razão para isso, 
porque nós mesmos não respeitamos as Leis Divinas, 
queremos todas as resoluções de nossos problemas 
no momento em que queremos e esquecemos que Deus, 
rege nossa vida e nos dá aquilo que precisamos para nos tornarmos melhores.
Não temos outra saída para nosso adiantamento Moral 
a não ser o respeito para conosco, somente desta forma 
poderemos respeitar nossos semelhantes e aceitá-los como se apresentam a nós.
Respeite-se sempre, dê a você a chance de melhorar-se Moralmente, 
porque desta forma terá sempre condições de respeitar o seu próximo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Co-dependência



Quando uma pessoa independente suporta e incentiva a dependência do outro.

Muitas vezes, pensamos que somos a melhor pessoa do mundo porque agradamos aos outros e não a nós mesmos. Interrompemos nossas atividades para atender ao chamado alheio. Fazemos sempre mais do que os outros nos pedem, e, habilidosamente, antecipamos seus desejos e abrimos mão dos nossos com extrema facilidade. Depois, ficamos chateados quando os outros não fazem o mesmo por nós! 

Atenção, se você se identificou com esta curta situação, leia com atenção este texto, pois você pode estar sendo um co-dependente: alguém que acredita ser responsável pela felicidade alheia, mas que pouco cuida da sua...

Semana passada, refletimos sobre a dependência sadia; agora, iremos pensar sobre quando a dependência se torna um fato negativo, isto é, quando uma pessoa independente suporta e incentiva a dependência do outro.

Não é simples perceber que estamos fazendo este papel de salvador, pois os co-dependentes têm muita dificuldade de conhecer seus sentimentos: estão habituados a se sacrificar pelos outros e nem se dão conta de que, em vez de controlar a sua própria vida, dedicam todo o seu tempo a controlar a vida dos outros. 

Como co-dependentes, dizemos sim, mas na realidade queremos dizer não; fazemos coisas que não queremos realmente fazer, ou fazemos o que cabia aos outros fazer. 

Uma atitude co-dependente pode parecer positiva, paciente e generosa, pois está baseada na melhor das intenções, mas, na realidade, é inadequada, exagerada e intrusa. A questão é que os co-dependentes estão viciados na vida alheia e não sabem mais viver a sua própria. Adoram dar, mas detestam receber, seja atenção, carinho ou ajuda. Desta forma, quanto mais se dedicam aos outros, menos autoconfiança possuem. Afinal, desconhecem os seus próprios limites e necessidades!

A co-dependência se inicia quando uma pessoa, numa relação comprometida com um dependente, tenta controlar seu comportamento na esperança de ajudá-lo. Como conseqüência dessa busca mal sucedida de controle das atitudes do próximo, a pessoa acaba perdendo o domínio sobre seu próprio comportamento e vida.

Em outras palavras, se ao nos dedicarmos aos outros estivermos nos abandonando, mais à frente teremos de nos confrontar com as conseqüências de nossa atitude ignorante. 
Reconhecer nossos limites e necessidades é tão saudável quanto a motivação de querer superá-los. 

Sentir a dor do outro não quer dizer ter que repará-la. Este é nosso grande desafio: sentir a dor com o intuito simplesmente de nos aproximarmos dela, em vez de querer transformá-la de modo imediato.

É preciso deixar claro que ter empatia não tem nada a ver com a necessidade compulsiva de realizar os desejos alheios, própria dos relacionamentos co-dependentes. 

Stephen Levine, em Acolhendo a pessoa amada (Ed. Mandarin), nos dá uma boa dica para identificarmos se nossos relacionamentos são saudáveis ou não: Na co-dependência, as balanças sempre pendem para um lado. É freqüente que um tenha de estar ‘por baixo’ para que o outro se sinta ‘por cima’. Não há equilíbrio, somente a temida gravidade. Em um relacionamento equilibrado não há um ‘outro dominante’; os papéis estão em constante mudança. Quem tiver o apoio mais estável sustentará a escalada naquele dia.

A troca equilibrada entre ceder e requisitar, dar e receber afeto e atenção nos aproxima de modo saudável das pessoas que nos cercam sem corrermos o risco de criar vínculos destrutivos. Assim como esclarece John Welwood, Em busca de uma psicologia do despertar (Ed.Rocco): O paradoxo do relacionamento é que ele nos obriga a sermos nós mesmos, expressando sem hesitação e assumindo uma posição. Ao mesmo tempo, exige que abandonemos todas as posições fixas, bem como nosso apego a elas. O desapego em um relacionamento não significa que não tenhamos necessidades ou que não prestemos atenção a elas. Se ignoramos ou negamos nossas necessidades, cortamos uma parte importante de nós mesmos e teremos menos a oferecer ao parceiro. O desapego em seu melhor sentido significa não se identificar com as carências nem com as preferências e aversões. Reconhecemos sua existência, mas permanecemos em contato com nosso eu maior, onde as necessidades não nos dominam. A partir desta perspectiva, podemos escolher afirmar nosso desejo ou abandoná-lo, de acordo com as necessidades do momento.

A empatia começa com a capacidade de estarmos bem conosco mesmos, de reconhecermos o que não gostamos em nós e admirarmos nossas qualidades. Quanto melhor tivermos sido compreendidos em nossas necessidades e sentimentos quando éramos crianças, melhor saberemos reconhecê-las quando adultos. 

Entrar em contato com os próprios sentimentos é a base para desenvolver a empatia. Como alguém que desconhece suas próprias necessidades poderá entender as necessidades alheias?

Se você quiser ler mais sobre a co-dependência, leia o livro: Co-dependência nunca mais de Melody Beattie (Ed. Record). Abaixo, seguem alguns itens que, segundo a autora, os co-dependentes adoram fazer:

- Considerar-se e sentir-se responsável por outra(s) pessoas(s) – pelos sentimentos, pensamentos, ações, escolhas, desejos, necessidades, bem-estar, falta de bem-estar e até pelo destino dessa(s) pessoa(s).
- Sentir ansiedade, pena e culpa quando a outra pessoa tem um problema.
- Sentir-se compelido – quase forçado – a ajudar aquela pessoa a resolver o problema, seja dando conselhos que não foram pedidos, oferecendo uma série de sugestões ou equilibrando emoções.
- Ter raiva quando sua ajuda não é eficiente.
- Comprometer-se demais.
- Culpar outras pessoas pela situação em que ele mesmo está.
- Dizer que outras pessoas fazem com que se sinta da maneira que se sente.
- Achar que a outra pessoa o está levando à loucura.
- Sentir raiva, sentir-se vítima, achar que está sendo usado e que não senta sendo apreciado.
- Achar que não é bom o bastante. 
- Contentar-se apenas em ser necessário a outros.