quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Carta de um adicto em recuperação a sua mãe

O Repórter Record desta segunda-feira (19) fala sobre o crack, droga que segundo autoridades policiais e de saúde atinge cerca de um milhão de famílias brasileiras. Um dos personagens do programa, Raphan Salles Gibson, foi internado à força com autorização da Justiça. Depois de um tempo em tratamento, o internado sofre a cada semana e pede desculpas à mãe por todos os transtornos. Em um destes momentos escreveu uma carta de desculpas a ela. 


“Clínica CRAD Peruíbe, 15 de abril de 2010



Querida mãe, desejo que esta carta chegue até você de uma forma que te traga paz e esperança.



Antes de qualquer coisa quero te pedir uma coisa, "perdão", perdão por frustrar seus sonhos, por não ter sido filho que você sempre sonhou e o que mais me machuca é não ter correspondido à altura ao seu amor incondicional. No passado sonhamos juntos com uma vida diferente para nós, queríamos uma vida repleta de alegrias, vitórias e a abundancia dos melhores sentimentos que existem na fase da terra, mas a minha vida tomou um rumo no qual perdi o controle de tudo, me tornei uma pessoa sem sentimentos, mãe na verdade não era eu e nem sei como cheguei a esse ponto, principalmente depois de todo o amor com que me criou e educou.



Mãe, deixei me levar pelas más amizades, pelas drogas e por influencias externas, por prazeres que até então desconhecia, de uma forma mãe que tomou totalmente conta de mim, hoje eu pago o preço das minhas escolhas, escolhas estas a qual a senhora sempre me alertou, mãe perdão, perdão por não ter lhe dado ouvidos, se arrependimento matasse eu já não estaria mais lhe escrevendo, mas tudo nesta vida é um aprendizado por mais doloroso que seja, o caminho o qual eu trilhei.

Mãe quando olho para mim e me deparo com os erros do passado, não entendo por que fui buscar a droga como consolo e companhia para esquecer os meu problemas (sic) e fugir das minhas responsabilidade.
Sabe mãe, uma experiência de vida dolorosa, onde vi de tudo que a senhora possa imaginar, vi meninas de família se prostituindo, pessoas sendo espancadas por simples centavos, vi pessoas morrerem ao meu lado mãe, de tanto usarem o "crack", vi também pessoas que não precisavam se tornar bandidos, até um casal onde a esposa se prostituia para que ambos pudessem usar, sabe mãe quando olhei param mim, vi que a droga me levou a um estado o qual eu jamais imaginei que chegaria onde a senhora viu muito bem, sabe mãe hoje sinto vergonha do estado que cheguei e ao ponto que cheguei, onde muitos mendigos estavam melhores que eu, cheguei até a me tornar aviãozinho para poder obter a droga, mãe me perdoe era muito mais forte do que eu e já não conseguia pensar em mais nada a não ser como fazer para ter mais.


Sabe mãe após ter tido a oportunidade de estar limpo vejo as coisas e o mundo ao meu redor de uma forma diferente, vejo que nada nesta vida é por acaso, hoje sei que isso é uma doença, vejo também mãe que há esperança de uma nova vida livre da escravidão nas drogas e se Deus permitiu que tudo isso viesse a acontecer comigo foi para o meu crescimento. Mãe, agradeço a Deus por ter me guardado em todos os momentos difíceis que passei em minha vida e por ele não ter permitido que a senhora me abandonasse, agradeço principalmente a atitude que senhora tomou, pois eu estava insano e não conseguia pedir ajuda, mesmo sabendo que estava me matando, agradeço a oportunidade que hoje tenho de me recuperar aqui na Clínica CRAD, com pessoa que me ajudam nesta nova jornada da minha vida, sabe mãe aqui também tem pessoa que passaram pelo que eu passei e hoje estão bem, conseguiram superar o horror da vida nas drogas e hoje são exemplos para mim.

Quero uma transformação de vida mãe, transformar o negativo em positivo, sofrimento em alegria, ser o filho que a senhora sempre sonhou e voltar a vê-la sorrir.
Sabe mãe hoje descobri que existe uma programação que pode me ajudar nesta nova fase que hoje vivo e pelo resto de minha vida, aqui aprendi a programação de 12 passos de narcóticos anônimos, onde aprendo a me conhecer melhor e superar minhas dificuldades. 
Mãe aprendi e sei muito bem que somos um anjo de uma asa só e que juntos podemos voar "ir" cada vez mais alto, aprendi também que a honestidade é à base da minha recuperação.


Mãe aqui é o lugar onde eu crio raízes, raízes fortes, por isso não me importo com o tempo, para que nenhuma tempestade venha a me derrubar, para que eu não volte ao inferno o qual nossas vidas se tornaram.



Mãe muitas pessoas não entendem esta doença e por isso nos discriminam, por muitas vezes fui tratado como bandido pela policia sem nunca ter tirado nada de ninguém a não ser da senhora que é a pessoa que mais amo, sabe a policia nunca me ofereceu qualquer ajuda e isso foi uma das coisas que muito me machucou, pois eu sempre os via como heróis e eles me trataram como marginal, mãe essa discriminação com a minha doença hoje muito me preocupa e me faz pensar se ainda conseguirei um bom emprego, afinal quem daria emprego a um adicto sem saber o que isso significa, mas tudo bem mãe um dia Deus vai tocar o coração dessas pessoas, antes que o problema seja na família delas.



Mãe, estou morrendo de saudades da senhora e de toda nossa família que hoje sei que são as pessoas que realmente me amam, bom vou ficando por aqui, espero que a senhora esteja freqüentando os grupos de ajuda, pois a senhora também ficou afetada com a minha doença e o grupo de nar-anon pode ajudá-la.



Mãe estou cada vez melhor, fique com Deus amo você mais que tudo nessa vida, de seu filho, Raphan Salles Gibson”.

Retirado do site R7

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Crack; 62% das usuárias se prostituem todos os dias para bancar o vício


Pesquisa mostra como vício destrói a vida de garotas pobres, como Caroline, no relato acima, e de garotas de classe média, como M, no relato abaixo
A vida de C, 19, cabe na mochila. "É minha casa, meu quintal e minha penteadeira", afirma ela. A bolsa de náilon é escudo em seu vai e vem pela cracolândia. Há quatro anos, sua rotina só mudou quando deu a luz.
Gerou duas órfãs do crack, a segunda em 29 de setembro. "Só fiquei uma noite com ela", conta, enquanto esvazia a mochila de objetos (Bíblia, caderno e rádio), roupas (dois tops, uma legging e um jeans) e produtos de higiene (xampu e óleo corporal).
Carolina retrata a entrada das mulheres no cenário do crack, em 2002. É quando as primeiras usuárias aparecem em programas de reabilitação na cidade de São Paulo.

ESCUDO

"Antes elas eram invisíveis", diz Solange Nappo, pesquisadora do Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), da Universidade Federal de São Paulo.

"Para o negócio, a presença feminina foi interessante. A mulher pode se prostituir e prover o crack para si e parceiros."

"Antes, os usuários do sexo masculino não duravam um ano, envolviam-se com a marginalidade e acabavam mortos. Com a mulher em cena, ela vira provedora."
Ao financiar o vício com o corpo, elas se expõem a doenças e à gravidez indesejada. Carolina descobriu ter sífilis, ao fazer o pré-natal. O posto público onde fez as consultas fica próximo das ruas por onde perambula em busca da droga consumida na gravidez. "Vomitava muito, mas não ficava sem." A droga a levou para fora do hospital 12 horas depois do parto. Fugiu da maternidade, deixando a recém-nascida. Fez o mesmo quando nasceu a primeiro filha, há um ano e meio. Dos seios de Carolina ainda jorram leite. "Amamentei minha filha uma noite.
Disseram que não ia sair com ela porque sou drogada. Então dei no pé."

Entre as 80 mulheres ouvidas na pesquisa qualitativa do Cebrid, os relatos são de múltiplas gestações. Uma delas estava na nona gravidez.

"Os filhos indesejados do crack são uma complicação a mais para o Estado", diz Solange.
"São abandonados por mães que não desenvolvem afeto por bebês gerados em situação de exploração."
Fugir de parceiros violentos é outra rotina. C anda se escondendo do suposto pai da filha.
Ele tem 39 anos e é viciado como ela. "Ele me encheu de porrada para eu ir me virar na rua."
O motivo da briga é um dos principais dados da pesquisa do Cebrid: 62% das usuárias de crack se prostituem todos os dias para bancar o vício.

INEXPERIÊNCIA

Na mochila de Carolina há espaço para camisinha dentro de um estojo de óculos. Mas quem dita o uso é o cliente.
"O fato de não serem prostitutas antes, complica a vida das usuárias de crack", afirma Solange.
"Elas não sabem lidar com clientes nem com os perigos da rua, ainda mais na fissura pela droga."
A quantidade de programas depende da necessidade. "Hoje, só fiz um", diz Carolina, no meio da tarde. Os R$ 16 vão virar "pedra" até o anoitecer, combina com uma amiga.
"Do que adianta ficar falando dessa vida?", indaga a mulher que aparenta uns 40 anos. Nega-se a dar entrevista ou mesmo o nome. "Se tô aqui é porque preciso."

A psicóloga Gisele Borsotte finaliza outro estudo, também do Cebrid, sobre a motivação de um grupo de 43 usuários de crack para cessar o consumo.
"Eles vão somando perdas em uma trajetória crescente de deterioração", diz. "Mas só têm motivação para tentar parar quando se veem diante da morte."
A cicatriz acima da sobrancelha é só um detalhe no rosto anguloso enfeitado por olhos amendoados. M, 32, não lembra como se machucou.
"Devo ter caído", afirma ela. Rara imprecisão sobre o seu mergulho no crack, ao longo de cinco dos seus 17 anos de adição.
Internada no Instituto Intervir, nos arredores de São Paulo, há pouco mais de um mês, ela destoa pelo perfil socioeconômico. "Tive berço e ótima formação escolar. Sou de uma família normal de classe média paulistana." Filha única, foi educada em um colégio tradicional. "Estudava em escola de rico. Meus pais podiam pagar, mas não tudo o que as outras crianças tinham. Batia a cabeça quando não tinha dinheiro, roubava meus avós."

PRIMEIRO CONTATO

Foi num retiro promovido pela escola que experimentou maconha, aos 15 anos. O uso seria recreativo até se apaixonar por um viciado em crack. "Fiz de tudo para tirá-lo daquela vida e acabei doente de codependência."
Parou de estudar, fugia de casa. Drogava-se. "Competia com a droga pela atenção do namorado. Tinha mais ciúme do crack do que de mulher."
Fez da cocaína antídoto contra insegurança, inclusive na gravidez -seu filho tem hoje 8 anos. "Usava dez papelotes por dia. Passei a usar um por semana. Administrava a droga como um remédio."
Não escondeu a prática de risco do médico do convênio que fez o pré-natal. O bebê nasceu prematuro. Justifica-se: "Se parasse, a angústia, os medos e a raiva de ter pedido tudo iam voltar. Prejudicaria mais o bebê".

SEM MORAL

Dois anos depois, M. perderia a guarda do garoto loirinho das fotos na cômoda. Ficou três sem vê-lo.
Hoje, faz visitas quinzenais. "Meu filho é saudável e faz terapia", afirma. "Não tenho moral. Ele bate no meu bumbum e me xinga de drogada."
O crack seria a próxima etapa. "Foi devastador. Fumava 14 pedras por dia." Parou na rua. "Eu me vestia bonitinha e pedia grana dizendo ter perdido a carteira.
Arrumava fácil R$ 100. Ter boa aparência ajudava." O golpe funcionou até o crack deixar marcas. "Fiquei feia, com olheiras enormes."
Sem-teto e distante de todos, começou a cair a ficha. "Vou ficar morando em albergue, sem nada, com infeção intestinal?" A moça fina vira prostituta. "Não me prostituía pela droga, mas para me livrar dela." Um ano depois, seria expulsa da boate por causa do álcool.

"A prostituição serviu para retomar a autoestima. Eu me arrumava para atrair clientes, mas não nasci para isso. Não deixei me machucarem mais." Veio a exaustão. "Não suportava mais acordar e dormir mal, a humilhação para conseguir droga."
Foi difícil abrir mão da adrenalina. "Os riscos são a melhor parte. Preenchem o que a droga tira. Camuflam a burrice de tá se acabando."
E ainda tem que lidar com crises de abstinência. "Tem aquelas agudas, que dói a cabeça. A do crack é pior. É psicológica. Fecha a mente."

FUTURO

Maiara quer esquecer as alucinações. "Uma vez, ajoelhada caçando pedrinhas de crack, ouvi uma respiração forte e uma voz: "Você não se ajoelha nem para Deus vai se ajoelhar pra mim?". Longe da loucura, diz ter jogado fora a máscara de vítima. "A droga não tem mais o que fazer de mim. Não tenho mais o que saber dela.  As drogas foram sua faculdade. "Vou transformar essa experiência em profissão para ajudar na recuperação minha e de outros. Só assim vou me perdoar."

retirado  da Folha de São Paulo 22/11/2010

Como adquirir a confiança que lhe falta

Reconheça o seu valor pessoal.


1.° Passo: Faça um registo dos seus êxitos 

Numere metodicamente os seus pontos fortes, tal como as ocasiões em que os utilizou positivamente. Seguem-se algumas perguntas que o poderão ajudar no caso de ficar bloqueado: 

• Em que áreas possui capacidades especiais? Estas poderão ser capacidades profissionais, de passatempos, desportivas, etc. 

• Que coisas tangíveis conseguiu realizar (êxito académico ou profissional, criar filhos, um bom casamento, êxito na vida pessoal, no esporte, etc.)? 


• Em que ocasiões teve o prazer de experimentar o êxito? Procure pela sua memória, indo o mais para trás possível, até à sua infância. 

• O que é que as pessoas que conhece apreciam em si? E por aí fora. Não se subestime. No que respeita a autoconfiança, é tão importante saber coleccionar selos como mudar uma vela no seu carro ou saber manter um bom ambiente familiar.

Leia e releia a sua lista de êxitos. Guarde-a consigo e acrescente-lhe alguns de vez em quando. Saboreie-a e impregne na sua mente a imagem positiva que ela representa, pois essa imagem positiva é você ! 


2.° Passo: Seja otimista 

Todos nós fracassamos uma vez ou outra. Até as pessoas mais carismáticas fracassam de vez em quando. Mas, ao contrário destas, a nossa reacção ao fracasso pode ser catastrófica. 

Muitos ficam a pensar sobre os obstáculos e as desilusões e acabam por se deixar dominar por eles durante a vida inteira. Será que você é  uma destas pessoas? Se é, então tem de mudar. 


As pessoas confiantes contam os seus êxitos e não os fracassos 



As pessoas confiantes contam os seus êxitos e não os fracassos. Esquecem-se do passado e concentram-se no presente e, claro, no futuro. Cada palavra e ação é iluminada pela luz do otimismo. 


3.° Passo: Mudar a sua reação ao fracasso 


Há vários ditados que são fruto da experiência popular. Aqui se seguem dois que deve manter sempre em mente: 

"Quem não arrisca, não petisca." 

"A sorte sorri aos audazes." 

De fato, os fracassos só podem ocorrer àqueles que arriscam, aos que ousam tentar. Se experimentou um fracasso, é porque ousou agir, arriscou e possui a qualidade da iniciativa! 

É só tentando que se pode ter êxito. Ponha-se em linha, aceite os riscos e logo verá que a Deusa da Sorte lhe sorri. 

Considere tudo o que faz como se fosse um jogo – às vezes perde-se, outras vezes ganha-se. Não existem fracassos que possam fazer diminuir o seu valor como pessoa; pelo contrário, eles provam que tentou, que mostrou coragem e iniciativa e que foi dinâmico. 

4.° Passo: Pare de ver fracassos por todo o lado 

Como é possível ver um fracasso, quando ele não existe? Logo verá ! 

1. É tempo de limpar o seu arquivo de fracassos. Faça uma lista dos seus fracassos pessoais, profissionais, atléticos e sociais. 

2. Quando a lista estiver completa, analise os fracassos individualmente. E muito provável que, nove em cada dez casos: 

• Aquilo que considera um fracasso seu, estava fora do seu controle, não tinha nada a ver consigo. 
• Aquilo que considera um fracasso, não foi bem um fracasso, mas simplesmente uma insatisfação. 

Por exemplo, algumas pessoas sentem-se mal por terem fracassado com os seus filhos, por não os terem encorajado a obterem uma boa educação, porque os seus filhos preferiam passar o tempo na praia a praticar surf em vez de irem para o colégio. Se é um destes pais, então é bom que se mentalize que a vida dos seus filhos lhes pertence a eles e que são livres de fazer o que quiserem. 

Se são mais felizes a praticar surf do que a fazer cálculos logarítmicos, isso é com eles. Você não é responsável! Você fez tudo o que pôde para que os seus filhos fossem felizes e equilibrados. Isto é tudo o que ser pai requer. 

3. Quando tiver analisado em pormenor a sua lista de fracassos, rasgue-a calma e lentamente, em mil pedaços. Faça-o cerimoniosamente, como se estivesse a executar um ritual simbólico extremamente importante. Depois, deverá experimentar uma sensação de renascimento e de purificação. Afirme-se 

A autoconfiança requer duas qualidades fundamentais: 

  • Saber recusar 
  • Saber pedir. 
Aprenda a dizer não 

Por que razão temos medo de dizer não? 

Passamos a vida a encontrar gente que tenta dar-nos ordens e manipular-nos, que tenta obter algo de nós, usar-nos ou, simplesmente, dominar-nos completamente, psicológica e fisicamente. 

Cabe-nos a nós fazer perceber a estas pessoas que controlamos o nosso espaço vital, a nossa integridade mental e emocional, o nosso tempo livre, o nosso dinheiro, etc. 

Alguma vez se encontrou a dizer sim, quando na verdade queria dizer não? Seja franco. A maioria de nós tem medo de dizer não. 

Se nunca aprendeu a dizer não, então está certamente a acumular uma dose tóxica de ressentimento. Sem dúvida, tem a sensação de estar a ser explorado e de ser a pessoa a quem todos pedem, porque diz sempre sim...

Aprenda a pedir 


Por que razão se tem de pedir? 

Porque afirmar-se requer mais do que responder negativamente. Afirmar-se significa também saber como pedir.  Outro provérbio que ilustra bem este ponto é: 

“Dar é mais doce que receber." 

Todos gostam de dar, pois dar faz crescer o ego, faz-nos sentir melhores e cria um sentimento profundo de satisfação. Mas se não se pede nada, corre-se o risco de se ser passado para trás. 

Os outros nem sempre podem adivinhar aquilo que se espera deles. Nem têm a obrigação de tentar perceber o que o outro pretende. Até o seu marido, os seus pais e os seus amigos mais próximos, não podem saber exatamente o que se passa na sua cabeça no momento preciso em que deseja algo. 

Quer ter uma festa de aniversário? Diga-o às pessoas. Os seus amigos e familiares terão muito gosto em fazer uma surpresa para si! 

Por outro lado, se está sempre a dizer que os aniversários não têm qualquer significado para si, que deixou de contar os anos, etc., então não se surpreenda se o seu marido se esquecer de lhe dar um presente. 

Imaginemos que existe uma vaga no seu emprego que lhe interessa muito. Não fique à espera de que lha ofereçam. Vá falar com o seu superior e diga-lhe aquilo que pretende. Explique como faria esse trabalho e por que razão se sente habilitado para o fazer. 

Talvez o auto-sacrifício e a modéstia sejam virtudes cristãs, mas pode ter a certeza de que não foi isso que deu a coroa a Napoleão nem o que permitiu a Lula governar durante 
dois mandatos o Brasil.