sábado, 2 de outubro de 2010

A vida segue sempre em frente.

É preciso saber sempre quando se acaba uma etapa da vida. Se insistimos em permanecer nela, depois do tempo necessário, perderemos a alegria e o sentido do resto. Fechar círculos, fechar portas ou fechar capítulos, como queira chamar, o importante é poder fechá-los.
Foi demitido? Acabou a relação? Já não mora mais nessa casa? Deve viajar? A amizade acabou? Você pode passar muito tempo do seu presente dando voltas ao passado, tentando modificá-lo... O desgaste será infinito, porque na vida, todos estamos destinados a fechar capítulos, virar páginas, terminar etapas ou momentos da vida, e seguir adiante.
Não podemos estar no presente sentindo falta do passado. O que aconteceu, aconteceu. Não podemos ser filhos eternamente, nem adolescentes eternos, nem empregados de empresas inexistentes, nem ter vínculos com quem não quer estar vinculado à nós.
Passamos por momentos de plena felicidade em nossa vida e momentos que nos marcam de uma forma surpreendente e nos transformam, nos comovem, nos ensinam e muitas vezes, nos machucam profundamente. Mas os acontecimentos e as pessoas passam por nossas vidas e temos que deixá-los ir! Por isso, às vezes é tão importante esquecer de lembrar, trocar de casa, rasgar papéis, jogar fora presentes desbotados, dar ou vender livros...
Na vida ninguém joga com cartas marcadas, e a gente tem que aprender a perder e a ganhar. O passado passou: não espere que o devolvam. Também não espere reconhecimento, ou que saibam quem você é. A vida segue sempre para frente, nunca para trás.
Se você anda pela vida deixando portas "abertas", nunca poderá desprender-se, nem viver o hoje com satisfação. Casamentos, namoros ou amizades que não se fecham, possibilidades de "regresso" (a quê? Pra quê ?), necessidade de esclarecimentos, silêncios... devemos fazer a faxina emocional e arrumar espaço nas gavetas do futuro para o novo. Não por orgulho ou soberba, mas porque você já não se encaixa ali, naquele lugar, naquele coração, naquela casa, naquele escritório, naquele cargo...
Você já não é o mesmo que foi há dois dias, há três meses, há um ano... Portanto, nada tem que voltar!!! Mesmo que fosse possível.Preste bastante atenção em todas as coisas que te acontecem, elas poderão estar trazendo a sua tão esperada felicidade, se vocês estiver aberto a compreendê-las.
"Nada é por acaso. Deus não joga dados com o mundo. Deus é sutil, mas não é maldoso." (Albert Einstein)
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É possível mudar e ser um adicto em recuperação.

Não é possível, ou não é sábio ignorar as lições da natureza. Assim sendo é importante ter consciência que a vida nos é dada para que a desfrutemos da melhor forma e isto inclui aprender sempre, embora em certas ocasiões nos reconheçamos em situações que nos desagradam, em virtude de falta de paciência, de tolerância e de compreensão da falibilidade do outro e conseqüentemente da nossa também.
Como as ondas todos nós ora estamos em alta (e isto pode despertar sentimentos não tão nobres, tanto em nós como no outro), ora estamos escondidos, recolhidos, por inúmeras circunstâncias que assim determinam ou até por opção. Este processo de alternância é educativo, faz vivenciar situações novas, diferentes. Na natureza ocorre desta forma, posto que nada permanece igual sempre. O sol alterna com a lua o espaço, a chuva com o sol, o calor com o frio, o outono com a primavera. Isto proporciona perspectivas diferentes, o que sem dúvida é interessante. Se tudo fosse sempre igual não haveria evolução, desenvolvimento, progresso, conquistas que vieram em benefício da humanidade, embora nem sempre os homens façam disto tudo o uso adequado.

É imprescindível que saibamos olhar com atenção para o que nos circunda para decifrar cada mensagem que nos é transmitida. 
Ontem, ao deitar olhava o mar que se descortinava à minha frente, calmo, sereno, com uma longa faixa de praia. Veio à chuva, mudaram as correntes, a maré subiu, a faixa de areia desapareceu. O mar avançou e batia furiosamente nas pedras e nas balaustras que se estendem por esta parte da orla desta terra linda, abençoada por Deus e apadrinhada por Jorge Amado e Dorival Caymmi. É a outra face que se apresentava para que pudéssemos aproveitar toda multiplicidade de opções que a vida nos oferece de uma maneira simples, mas proveitosa, prazerosa, e que se transformam em alimento para o corpo e para a alma, como uma caminhada para descobrir novos encantos, uma visita ao museu, uma conversa informal com habitantes do lugar, uma subida no morro, um alimento diferente, a visita aos pontos turísticos quase obrigatórios. Uma gama de opções. Todas válidas. Necessário é saber o tempo de fazer cada uma. Assim como cada pessoa tem seu jeito de ser, cada coisa tem seu tempo de acontecer, cada estação uma característica, cada local seu modo peculiar de viver. Não podemos é julgar cada um de acordo com nosso modo classificando-os de certo ou errado, formando assim juízo de valor.
Nossa tarefa consiste em saber interpretar estes diferentes símbolos, as diferentes linguagens, com múltiplos significados, para melhorar o nosso conhecimento com relação a nós mesmos, aos outros e a vida e facilitar a comunicação entre os seres e entre estes e a natureza deixando que cada um se expresse a seu modo e a seu tempo, considerando suas características, atributos e limitações. O que não dá é para querer ser porta-voz de todos, falando uma linguagem própria, que não contemple a multiplicidade e, sobretudo não respeite cada individualidade.

Cracolândia agora é em todo Brasil

Engana-se quem pensa que a ‘cracolândia’ – como ficaram conhecidas as regiões dominadas por usuários de ‘crack’ – é exclusividade de grandes centros, como o bairro paulistano de Santa Ifigênia. A ‘boca do lixo’ também se desenvolve em cidades do interior, como em Campinas, onde as imediações da antiga rodoviária concentram dezenas de usuários da droga todos os dias. Em Itapira, infelizmente, este quadro não é diferente. Em trechos da Avenida São Paulo e até mesmo na Praça Bernardino de Campos, região central do município, a presença de indivíduos que fazem uso de crack tornou-se comum, a ponto de passar, muitas vezes, despercebidos pela sociedade.
O promotor André Luiz Brandão revelou que no município, em algumas intervenções em pontos de uso de drogas, crianças com idade entre nove e onze anos foram encontradas consumindo a droga. Segundo ele, essas crianças acabam por ‘trabalhar’ para o tráfico, uma vez que não conseguem sustentar o vício. “Para garantir a droga, eles acabam trabalhando para os traficantes como ‘vapores’ (como são conhecidos os pequenos vendedores de droga), entregando, buscando e armazenando as drogas”.
Mas os usuários de crack não se resumem mais apenas a pessoas humildes e de baixa renda. A droga tem penetrado cada vez mais nas classes média e alta da sociedade, que antes costumava envolver-se comumente com drogas sintéticas, como o ecstasy. Uma prova recente desse quadro foi observada há cerca de dois meses, no Espírito Santo, quando um estudante fez refém a própria mãe por conta do vício, em um amplo apartamento, de frente para o mar, em um bairro nobre de Vitória.
Garoto fuma crack na latinha em rua de Brasília – DF (Foto: Agência Brasil)
O crack surgiu no início da década de oitenta, resultante de uma mistura entre cocaína, bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada. Dividido em pequenos grãos, popularmente chamados de ‘pedras’, é fumado em cachimbos ou, quase sempre, em latas de alumínio. Seu efeito possui grande potencialidade sobre o sistema nervoso central, acelerando os batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, excitação e tremores.
Psicologicamente pode causar euforia, sensação de poder e invencibilidade, aumento da auto-estima e maior aptidão física e mental. Em casos não raros, o uso do crack está ligado diretamente a mortes de usuários por acidente vascular cerebral. Freqüentemente o usuário comete pequenos delitos, a fim de conseguir dinheiro para obter a droga, o problema maior, no entanto, são os efeitos causados pela abstinência, muitas vezes causando desespero no dependente, situações conhecidas como ‘nóia’ ou ‘fissura’. A droga é relativamente cara: uma pequena porção custa em média R$ 10, e o viciado pode fazer qualquer coisa para conseguir dinheiro e manter o vício.
Uma pesquisa recente do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), apresentado durante a dissertação de mestrado da farmacêutica Tharcila Viana Chaves, aponta que, além de todos os feitos citados, causados pela dependência e pela abstinência da droga, o usuário ainda desenvolve outro tipo de fissura, causada pela própria ação da droga.
Segundo ela, assim que o usuário de crack dá a primeira tragada, uma compulsão imediata pelo consumo é desencadeada no organismo. Outros dados apresentados no ‘I Fórum Regional do Crack da Segunda Coordenadoria de Assistência Social’ revelaram que os usuários de crack, em sua grande maioria, têm entre 13 e 15 anos. Além disso, cerca de 50% deles se tornaram dependentes da droga por causa conflitos familiares, violência doméstica e trabalho infantil. O evento, realizado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro em agosto reuniu profissionais das áreas de saúde, segurança, educação, esporte e lazer, e discutiu o combate ao consumo crescente do crack na capital carioca.
Droga é vendida em pequenos fragmentos: efeitos são devastadores (Foto: Agência Brasil)
A ‘cracolândia itapirense’ confirma a triste realidade. Em geral, menores com idade escolar estão presentes nos pontos críticos onde a droga é consumida, não só no período noturno, mas também à luz do dia.
A sociedade reclama, a população denuncia, a polícia e o Ministério Público agem, mas o quadro não costuma mudar. Brandão explicou que um dos fatores para a baixa eficácia das ações é o fato de que as leis não prevêem medidas detentivas aos usuários de drogas. “Eles (os usuários) não podem ser detidos quando não existe ato infracional, como roubo ou furto, e logo depois da autuação são apresentados aos responsáveis e liberados em seguida”, disse o promotor. Ele conta que o Conselho Tutelar é notificado e uma equipe do próprio fórum, com assistente social e psicólogo, assume o caso, encaminhando o viciado para atendimento em órgãos como o CAPS – Centro de Atenção Psicossocial. “Somente em casos onde o menor age com agressividade e violência ou comete algum crime é que podemos encaminhá-lo para internação em instituições, como a ‘Fundação Casa’”, ressaltou Brandão, referindo-se à antiga FEBEM. Segundo ele, em cem por cento dos casos de uso de drogas por menores, a primeira pista é o abandono da escola, seguido pelos pequenos crimes.

NEM SEMPRE O CRACK É O FIM DA LINHA

Contrariando o que a sociedade costuma dizer quando um indivíduo chega ao consumo de crack, o Gazeta convidou dois ex-usuários de drogas, recuperados pela Casa Vida, entidade assistencial do município que atende dependentes químicos. Atendendo à solicitação com bastante humildade e claro, com muito orgulho, certos de servirem de exemplo de que o usuário de drogas – incluindo aqueles que chegam ao crack, considerado o fim da linha – podem sim se recuperar, eles prestaram depoimento e contaram um pouco de suas histórias com as drogas.
Júnior, atualmente com 30 anos, conta que começou a usar drogas aos quatorze anos de idade, em festinhas. Segundo ele, a porta de entrada para sua dependência química foi o álcool, passando em seguida a fumar maconha. “Era um menino como qualquer outro, uma criança com muitos sonhos, e o maior deles era ser jogador de futebol. Eu estudava, brincava, e de repente passei a andar com pessoas que já eram usuárias de drogas, e fui me afastando dos verdadeiros amigos”, contou Júnior, visivelmente emocionado. Após a maconha, Júnior passou a usar cocaína, perdeu o emprego e, para sustentar seu próprio vício, passou a roubar objetos de sua própria casa para vender ou trocar com drogas. “Em pouco tempo eu já estava no crack, que acabou me levando para a prisão. Lá eu pedia a Deus que me livrasse daquela situação, o que logo aconteceu, mas ao ganhar a liberdade acabei ficando pior, me afundando de vez no crack”, lembra.
Junior diz que pediu ajuda a uma irmã, que conseguiu uma vaga na Casa Vida. Segundo ele, o coordenador da entidade o recebeu, questionando se ele estava mesmo disposto a mudar de vida. Diante da resposta afirmativa, Júnior iniciou o tratamento, que inclui nove meses vivendo dentro das dependências da entidade. “Passei por muitas dificuldades, mas conheci um estudo chamado ‘os doze passos cristãos’ e o programa FTI – Felicidade do Trabalho Interior, me apegando também ao estudo bíblico”.
Hoje, o ex-dependente, ainda em recuperação, trabalha em uma empresa da cidade, é casado há um ano, assumiu uma posição na diretoria da Casa Vida e é coordenador do Grupo de Apoio ‘Amor Exigente’. “Faz mais de dois anos que estou ‘limpo’ (sem drogas). Agradeço a Deus e me considero uma pessoa feliz ao lado de minha família”, observa. Júnior diz que espera ajudar, com seu depoimento, pessoas que ainda usam drogas e salienta que a força de vontade é o único caminho para deixar o vício. “É possível sim abandonar as drogas, só depende de você, de sua vontade de querer parar. Força, fé e alegria, só por hoje”, discursa.
Outro recuperado pela Casa Vida é Marcelo, de 35 anos, que começou a usar drogas aos doze anos para conseguir ser aceito pela turma. Aos quinze chegou a entrar em coma devido ao consumo excessivo de álcool, sendo preso, aos dezoito, por se envolver em brigas. “Quando tinha vinte e cinco anos eu briguei com meu pai, chegando a agredi-lo e machucá-lo. Fui perdendo tudo, família, dignidade, respeito, caráter, e cheguei a morar nas ruas usando todo tipo de droga”.
Segundo ele, quando estava na rua, uma pessoa perguntou se ele precisava de ajuda, mas ele disse que não, pois achava que não precisava de ninguém para se livrar das drogas. “Aos poucos fui percebendo que nunca sairia daquela situação sozinho, e então fui internado na Casa Vida, onde passei pelos mesmos nove meses que todos residentes passam e enfrentei muitas dificuldades”, conta Marcelo, também bastante comovido. Ele diz que com ajuda de Deus e de seus companheiros conseguiu superar a dependência química, estando longe das drogas à cinco anos, constituiu família com esposa e filho. “O primeiro passo, e mais importante, é a própria pessoa querer. Espero ter contribuído de alguma forma contando um pouco da minha vida, para que outros dependentes também consigam se livrar das drogas”, finalizou Marcelo. Em um ponto os dois ex-dependentes concordam: todos que conseguem se livrar das drogas viverão para sempre em recuperação.
  • Publicado originalmente no Jornal ‘A Gazeta Itapirense’, edição de sábado, 

Educar as emoções pra quê? - Deroní Sabbi






Muitas pessoas ainda não compreendem a importância do desenvolvimento de nossa inteligência emocional. Uma pesquisa mostra que nos últimos 30 anos do século passado nos EUA, 87% das pessoas que perderam seus empregos os perderam por dificuldades ligadas à falta de um bom uso da inteligência emocional. As conseqüências da falta de educação emocional, apenas citando os dados levantados nos países desenvolvidos, segundo Claude Steiner, incluem delinqüência, aumento do abuso de drogas lícitas e ilícitas, acidentes e conflitos de trânsito, violência em todos os níveis e setores sociais, homicídios e suicídios, abuso físico e sexual de mulheres e crianças, crianças abandonadas, desemprego em todos os níveis, problemas de conduta e evasão escolar na infância e adolescência em todas as classes sociais, problemas conjugais, separações, conflitos entre pais e filhos, depressão e doenças psicossomáticas. É fácil perceber que estas situações acontecem justamente a partir da falta de um desenvolvimento da inteligência emocional. 

A Competência emocional é um componente essencial do poder pessoal. Ao tornar nossas relações estimulantes e mutuamente gratificantes, nos sentimos encorajados, otimistas e poderosos. Viabiliza que qualquer diálogo, contato humano ou associação proporcionem maiores recompensas a todos os envolvidos. Uma boa comunicação que possibilite confirmar as percepções, dar e receber feedback de forma efetiva e a honestidade de sentimentos são elementos essenciais para uma pessoa viver em equilíbrio. 

A Competência emocional se compõe da capacidade de se conhecer, entender as emoções e sentimentos, expressando-os produtivamente, ter autocontrole e empatia com outras pessoas e assim compreender o que sentem e interagir com elas. Ser emocionalmente competente é ser capaz de lidar com as emoções de modo a desenvolver seu poder pessoal e a qualidade da vida que o cerca. 
Quando educamos nossas emoções nossos relacionamentos se ampliam, criamos possibilidade de afeto entre as pessoas, o trabalho cooperativo torna-se mais viável e facilita-se o sentido de comunidade. Muitas pessoas, especialmente os homens, imaginam que educação emocional redundará em perda de poder na sua vida pessoal e profissional, mas a verdade é que todos nós temos algo a aprender com nossas emoções. 

Assim como aprendemos a ler e a escrever podemos desenvolver a capacidade de lidar com nossas emoções e sentimentos e para isto existem uma série de metodologias e técnicas simples que permitem este desenvolvimento em qualquer idade. O desenvolvimento das emoções começa com a conscientização de nossas emoções e sentimentos, uma diferenciação entre eles, aprendendo a dar um nome a cada um deles, compreender de onde vem como eles atuam e a que levam, aprender a falar a respeito do que sentimos, vencendo para isto o medo e as inibições e direcioná-los positivamente. À medida que fazemos isso naturalmente vai-se desenvolvendo a empatia e a interação inteligente com outras pessoas e vamos desenvolvendo as habilidades de relacionamento. Naturalmente os níveis de stress e ansiedade baixam e podemos viver com mais alegria, saúde e qualidade. 

Assim, se quisermos construir um mundo melhor, nós os adultos, os pais, os professores temos um papel muito importante na educação que vai muito além de passar conteúdos que logo ficarão superados pela rapidez da informação. E desenvolver em nós mesmos essas habilidades, melhores valores e atitudes, e aprender a usar os recursos possibilitam este desenvolvimento emocional, pois isto fará a diferença na qualidade do viver e se manterá por toda a vida. Isto está ao alcance de toda pessoa que queira fazê-lo e viver uma vida que valha a pena. 

Reprodução autorizada, desde que mandtida a integridade do texto mencionando o nome do autor Dr. Deroní Sabbi e o site: www.sabbi.com.br e comunicada sua utilização atravez do e-mail: palestras@sabbi.com.br

Adolescentes e o suicídio

Mandala para colorir




Grande parte dos estudos nesse campo procurou investigar se existia associação entre as histórias sobre suicídio que aparecem na mídia e o aumento do índice de suicídio na população em geral. Embora o assunto ainda seja objeto de controvérsias, algumas pesquisas sérias indicam histórias sobre suicídio na mídia, nas novelas e em documentários, todas estão associadas a uma elevada taxa de suicídio. Há, além disso, posicionamentos contra a exposição dos jovens ao grande volume de informações, histórias e grupos de discussão na Internet sobre suicídio, que podem incitar a conduta (O conjunto das reações que se podem observar num indivíduo, estando este em seu ambiente, e em dadas circunstâncias) suicida.
Os filhos podem ser protegidos de idéias suicidas pelos seus pais ao deixarem bem claro o quanto eles são importantes. Quando o adolescente se sente valorizado e amado, estará muito menos inclinado a querer terminar com a própria existência.
Sintomas de tendências suicidas
Semelhantes com os sintomas da depressão, com a agravante que muitos adolescentes com tendências suicidas distribuem seus pertences, fazem desenhos ou escrevem sobre o extermínio e o ato de extinguir-se.
Os progenitores têm de estar atentos, prevenidos e acautelados, sobretudo se o jovem tem conduta autodestrutiva, fica dizendo que não vale nada ou que é um peso para os outros, e que preferia estar morto.
Estudos e pesquisas já demonstraram que evidências irrefutáveis de muitos dos jovens que se suicidaram deixaram inúmeras pistas. Já haviam mencionado a uma ou mais pessoas que eles ou os outros estariam "melhor se estivessem mortos". É um tipo de comentário que não deve ser ignorado. Um adolescente que faz esse tipo de comentário precisa saber que é muito querido pela família e ouvir constantemente que é uma pessoa muito importante para todos.
É importante estar com a atenção redobrada se o jovem que andava "na fossa" por um bocado de tempo, de repente e sem razão aparente, fica todo feliz e despreocupado. Infelizmente, esse entusiasmo é súbito, na maioria das vezes, decorrente do alívio que sentem porque tomaram a decisão de se matar. Os pais devem, de imediato, conversar com o filho e buscar aconselhamento profissional se desconfiam que o jovem tem intenção suicida.
Verdades sobre suicídio de adolescentes
A grande ocorrência de suicídio de adolescentes é normalmente atribuído à depressão, abusos sexuais, drogas, separação dos pais e problemas decorrentes de atração por pessoa do mesmo sexo. Conquanto apenas um desses fatos, por si só, pode ser bastante para levar um jovem ao suicídio, muitos adolescentes estão sobrevivendo a mais de um.
Muita das vezes, não é um único fato sério ou situação que leva o jovem a querer terminar com a própria vida. Uma série de pequenas, mas decepcionantes circunstâncias podem criar na mente do jovem a imagem de um futuro sem esperanças.
Um certo número de jovens são muito bons em disfarçar a depressão; por isso os pais precisam ficar atentos.
Inúmeras pesquisas recentes sugerem que uma em cada sete crianças está sujeita a sofrer depressão antes dos 14 anos e que muitas vivem sem terem sido diagnosticadas e tratadas, o que acarreta conseqüências devastadoras para a própria criança, familiares e até para a sociedade.
Pesquisas informam que triplicou o índice de suicídio de jovens desde os anos 60. Esse aumento do índice entre jovens, sobretudo do sexo masculino, é uma tendência mundial.
Estatisticamente comprovada esta que, para cada suicídio masculino consumado, há entre 30 a 50 tentativas de suicídio.
Estatisticamente também comprovada que, para cada suicídio feminino consumado, há entre 150 a 300 tentativas.
Estudos informam que, morte decorrente de suicídio é mais comum entre os homens; entretanto, condutas autodestrutiva vêm aumentando muito entre as garotas de 15 a 29 anos.
Pesquisadores afirmam que, para cada suicídio consumado há pelo menos 100 adolescentes que tentaram, mas não conseguiram dar cabo da própria vida. É uma constatação atemorizante.
Em vez de ficarmos conversando sobre suicídio é concentrarmo-nos nos muitos fatores de proteção aos adolescentes. A maior fonte de proteção do adolescente é estar conectado à família.
O que os pais podem fazer
As táticas eficientes para prevenir o suicídio incluem o aperfeiçoamento da aptidão social e emocional dos jovens, tais como solucionar problemas, tomar decisões, lidar com a raiva, resolver conflitos e comunicar-se sem medo de se afirmar. Os pais têm os meios para ajudar os adolescentes a desenvolverem essas características e habilidades, como por exemplo:
Demonstrar que confiam no filho, fazendo-o participar das decisões em família.
Nutrir um relacionamento tranqüilo e equilibrado, ensinando ao jovem, por meio de exemplos concretos, como lidar com a fúria.
Difundir-se abertamente, procurando resolver os problemas em conjunto.
Oferecer oportunidade e incentivar o jovem a expressar suas opiniões, e considerar as alternativas antes de tomar uma deliberação.
Afirmar-lhe que é importante, amado e levado a sério.
Garantir-lhe formalmente que nada vai afetar o amor e a aprovação paterna.
Buscar oportunidades para ensinar ao jovem como lidar com decepções e "fracassos".
Transmitir ensinamentos e conhecimentos afirmando que, todos passamos por experiências negativas e o que importa é focalizar o positivo.

Pais dependentes filhos dependentes




No tempo em que, não se trata com cuidado da Biofilia (amor à vida) que é o princípio de existência, não é verdade que se possa cuidar das dos alheios, ainda quando esses alheios sejam a nossa legitima prole. Observado de outro modo, isso significa que um pai que assume sua vida sobre a base de uma visão insensata da existência de fato e de sua própria consciência, por mais boa vontade que pense empregar, não poderá evitar transmitir, através de suas atitudes ou de preceitos, essa mesma idéia sem fundamento a seus filhos.
Uma criatura para a extinção não o é somente para a própria, mas também para a extinção daqueles que o cercam.
Asseveração essa, que se aludi a uma cadeia delituosa, a um ajuste sinistro, não tem por objetivo julgar os culpados, mas sim tratar de apontar um dos pontos em que se depararam as origens de uma conduta dependente (necessidade de estar subordinado a outrem).
Grande parte das vezes as drogas dos pais fazem muito mais do que gerar filhos toxicodependente. Suficiente recordar que uma gestante que fuma 20 cigarros por dia está exposta a dar a luz a um filho de peso inferior ao normal, sem entrar nos detalhes horripilantes de heroinômanas (vício mórbido de tomar heroína) que geram filhos que ao nascer sofrem de convulsões ou apresentam quadros de lesões neurológicas muito sérias.
Atentemos agora para os modelos de procedimentos que os pais imprimem aos filhos e que, (parece ser, mas não o é), não os conduzem à destruição nem à deturpação, mas que de fato e através de eventos que se contemporizam ao longo de toda a sua vida inferem-no a uma vivência tóxica. Explicando melhor, trazem-nos para mais perto de hábitos que representam agressões a si mesmos e fazem-nos entrar em uma competição para o aniquilamento.
Indubitavelmente, os jovens e adolescentes que consomem drogas foram involuntária e passivamente induzidos a esse consumo pela dependência alcoólica dos pais. Eles sofrem uma predisposição que contraíram no lar.
É muito difícil encontrar algum jovem paciente dependente de drogas que não tenha chegado a esse estado depois de uma longa convivência com o exemplo dos progenitores, que são "alcoólatras sociais", e genitoras que são "viciadas em fármacos", consumidoras de todas as espécies de pílulas (calmantes de suas dores e tranqüilizantes de suas angústias e preocupações, inclusive as drogas usadas para combater a obesidade os fenoproprorex).
Pesquisadores afirmam que os pais são, por sua vez, as causas motrizes de uma "sociedade dependente de drogas", causadora do fenômeno atual da proliferação de pacientes crônicos adultos jovens, que a ciência psicanalítica e a psiquiatria não pode ignorar.
Adolescentes, geralmente agressivos ou, em sua deficiência, retraídos demais, infringidos por dificuldades afetivas e por uma interpretação deformada da existência de fato, freqüentemente apresentam dependências a algum tipo de droga, ou pelo menos contam com antecedentes desse modelo.
A família prefere designá-los de "dependentes espontâneos", (mas não o são), eles são o resultado de uma sociedade que trabalha suas ansiedades com álcool e medicamentos. Adolescentes que somente contam com esses exemplos que não opõe suficiente resistência e que com essa bagagem única devem enfrentar um mundo que lhes oferece poucas possibilidades de obter êxitos em seus estudos ou qualquer ocupação manual ou intelectual.
No Brasil como em muitos outros paises, o alcoolismo registra vítimas cada vez mais jovens. Começando pela cerveja, para depois passar a bebidas mais fortes, os estudantes universitários iniciam um caminho que, em uma porcentagem significativa, os levará a outro tipo de dependência. Se isso não ocorrer, não é para alegrar-se: o álcool é provavelmente a droga mais devastadora e mais amplamente difundida que se conhece.
Os progenitores costumam equivocar-se em sua valorização das drogas que podem atrair seus filhos. Se como conseqüência de um transtorno de conduta ou da participação de um de seus filhos em um distúrbio grave se lhes chama a atenção sobre o grau de álcool ingerido por esse jovem, a reação imediata será de alívio, "pois se trata de bebida e não de drogas".
Estudos e pesquisas recentes inclusive às estatísticas realizadas no Brasil indicam que em poucos anos a porcentagem de escolares entre 13 e 15 anos que se habituaram à bebida aumentou de 11% para 23% por cento. No que se refere aos estudantes dos graus superiores, de idades que vão dos 16 aos 18 anos, a porcentagem chega a 40% por cento, e as alunas mulheres não estão excluídas das estatísticas, embora registrem porcentagens menores de dependência entre seu renque.
Grande número dos progenitores desses jovens bebe álcool com constância: três doses alcoólicas no almoço, “outras três ao chegar em casa e pelo menos três ou quatro doses alcoólicas depois do jantar”.
O estado social evita a qualificação de alcoólatras para essas pessoas; prefere considerá-las "bebedores com problemas", embora não esteja clara a linha divisória, e embora não seja a quantidade, mas sim a conduta e os efeitos que permitem definir quando uma pessoa ingressou no alcoolismo.
Os jovens e adolescentes referidos nas estatísticas não apenas utilizam bebidas alcoólicas; freqüentemente combinam o álcool pelo menos com a maconha.
Alcoólatras que em seu anseio de se modificar procuram uma terapia específica confirmam que a aproximação da bebida se dá — em 80% dos casos — em idade bem jovem, particularmente na etapa de passagem entre a puberdade e a adolescência, quando a angústia tudo envolve e os modelos paternos são os únicos que eles têm à mão, mesmo que para assumir atitudes que pretendem inabilitá-los.
Dentre 60% e 70% por cento dos enfermos alcoólatras tiveram em sua família pelo menos um dependente da bebida. Mas isso não significa que esses filhos de dependentes sucumbam ao álcool através de uma história que é suscetível de uma só interpretação.
Ao passo que existem muitos casos de filhos de alcoólatras que apresentam sérios transtornos em sua vida de afinidade e na aprendizagem, com a saúde pública em geral consagrando a esses os maiores cuidados, outras crianças parecem ter-se salvo da má influência e aparecem como meninos-modelo, responsáveis, precocemente maduros, quase preparados para atuar como progenitores de seus pais.
Excelentes educandos na escola primárias, porventura até mesmo conhecido, cercados pelo encanto de professores e companheiros, são possivelmente garotos que exercem em suas casas mais cargos do que lhes equivaleriam por sua idade,, por exemplo, a de cuidar dos irmãos menores, praticamente desamparados por uma mãe constantemente alcoolizada.
Absolutamente oponente, em algum momento aparecerão as agruras, empecilhos e as aflições; existente uma grande possibilidade que esse garoto exemplar, ao atingir à universidade, durante seus estudos superiores, encare um estado de depressão e retraimento que, no mais perfeito dos episódios, o leve a profissionais que sejam capazes para oferecer-lhe ajuda e, no pior dos acontecimentos, o levem a recorrer às bebida alcoólica.
Pesquisadores e Cientistas afirmam "Encontra-se um grande número de garotos que adolesceram aparentemente bem, sem embaraços para os objetivos ambicionados, e agindo de forma aproximadamente primorosa. Ao atingirem os 20 anos, porventura ao aproximarem-se dos 30, começam de repente a afastar-se de seus amigos, a desobrigar-se de suas atividades e a desabar em uma profunda depressão. Os resultados de pesquisas revelam que pelo menos a metade deles se voltará para a bebida alcoólica, desempenhando e eternizado uma dificuldade familiar que talvez tenha gerações de constancia”.
Assistentes sociais unindo a experiência de tratar "meninos perfeitos", filhos de alcoólatras e paralelamente jovens abatidos e atraídos pela droga, frutos também de lares dependentes, evidenciaram coincidência em pelo menos dois pontos: as dificuldades para apregoar seus sentimentos e o medo de perder o controle de si próprio.
Aflições e temores visivelmente relacionados com as estruturas de defesa que devem ter-se intensificado em algum período da infância, a fim de mover-se em um teto desordenado, atuando em torno da contradição dos modelos ditados por um dependente grave e, ao mesmo tempo, da influência auto-imposta a seus anseios e sentimentos, para evitar transtornar seus progenitores.
Muitos garotos nessas condições ampliaram um senso de compromisso exagerado, não aludido exclusivamente a eles mesmos, mas sim aos remanescentes membros da família. Muitos também assumem o papel de intercessor, para dar algum tipo de ordem na casa, ao passo que um outro grupo de meninos tende a agirem movidos somente pela obrigação de fazer com que aqueles que o rodeiam — em particular o alcoólatra com quem coexistem — não se sintam mal. Sem-razões carregam a culpa de ser eles que induzem os progenitores a beber bebidas alcoólicas, com seu mau procedimento.
Já na idade madura, os papéis contraídos quando jovens são difíceis de serem abdicados, e esses meninos responsáveis ou concessivos transformam-se em seres que elegem a solidão, pois a companhia lhes exige que se encarreguem confusamente do outro; que se casam por sua vez com um alcoólatra ou com um indivíduo incerto, pois carecem continuar sendo a sustentação de alguém; ou que lançam de si mensagens ininteligíveis, pois estão incapacitados de ratificar suas emoções.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Aprendi e decidi : Crack nem pensar mesmo!







E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, 
decidi triunfar...
Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las.
Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução. Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar 
um oásis. Decidi ver cada noite como um mistério a resolver.

Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.
Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar. Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tenha sido.

Deixei de me importar com quem ganha ou perde, agora, me importa simplesmente saber melhor o que fazer.
Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir.
Aprendi que o melhor triunfo que posso ter, e ter o direito de chamar 
a alguém de "amigo".

Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, 
"o amor é uma filosofia de vida".
Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser a minha própria tênue luz deste presente.
Aprendi que de nada serve ser luz se não vai iluminar o caminho dos demais. Naquele dia, aprendi que os sonhos são somente para fazer-se realidade. E, desde aquele dia, já não durmo para descansar.

Fonte:(Autorizado por www.netmarkt.com.br) 




Aprendizagem é a capacidade de modificarmos os nossos conhecimentos, e consequentemente, os nossos comportamentos, de uma forma relativamente estável e duradoura, de modo a nos adaptarmos à sociedade em que vivemos e às exigências dos grupos em que estamos inseridos. Como tal, é um fenómeno que ocorre durante toda a nossa vida, de diferentes formas (daí que se fala em tipos de aprendizagem – por condicionamento clássico ou operante; aprendizagem social e outras.. ), e influenciado e determinado por diversos factores, entre os quais a idade, a inteligência e a motivação.

Dez fatos que pais e escolas devem saber sobre o uso de drogas:


 


- Dependência de droga é definida como doença progressiva, incurável e fatal pela Organização Mundial da Saúde;

- no Brasil,dependência de droga já é definida por médicos e políticos como grave problema de saúde pública ; apesar de epidemia, a rede pública de hospitais ainda ignora a doença, sendo raríssimas as vagas para internar usuários de drogas, para desintoxicação;

- na primeira vez, quem oferece droga é colega ou parente, relatam  dependentes químicos em recuperação;

- na maioria das histórias, a primeira droga foi bebida alcoólica na infância ou na adolescência; depois, veio a maconha;

- maconha é causa de internação em São Paulo ,ao desencadear surtos psicóticos ou esquizofrenia, alertam clínicas que participam de Jovem Pan Pela Vida, Contra as Drogas (Greenwood, Reviva, Conviver,Intervir , Caminho de Luz e o Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas);

- além da dependência, maconha pode causar câncer de cabeça, pescoço e pulmão, além de uma série de outras complicações, define o presidente da Abead-Associação Brasileira de Álcool e Outras Drogas, psiquiatra Carlos Salgado.”Maconha não é droga benigna.Não está isenta de riscos”,afirma o especialista;

- mesclado é cigarro de maconha misturado com crack, droga que vem sendo utilizada por adolescentes em São Paulo , Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Também chamada pitico, a maconha com crack é montada pelos próprios usuários, tem constatado a polícia . A mistura provoca alucinações, perda de percepção, podendo levar a quadros depressivos , neurológicos, respiratórios e cardíacos;

- para tratar, afirmam especialistas, é preciso desintoxicar, ou seja tirar toda a droga do corpo; depois, é preciso tempo e dedicação para ensinar ao usuário viver sem drogas;

- mas no Brasil, nem acorrentando os próprios filhos, mães conseguem sensibilizar políticos e autoridades de saúde pública para o sofrimento que marca suas famílias;

- prevenção continua sendo, portanto, a vacina mais eficaz contra as drogas , sendo famílias e escolas fundamentais nessa luta pela vida.



Fonte:Jovem Pan Online/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

Além de ser um "corredor" para o tráfico, o Brasil enfrenta uma epidemia do uso de crack

Áreas de Risco
Além de ser um "corredor" para o tráfico, o Brasil enfrenta graves problemas com o consumo da heroína ao país
Ainda são poucas as estatísticas para determinar as quantidades de cocaína e heroína efetivamente consumidas no Brasil e para traçar um perfil mais profundo dos usuários, mas é possível dizer que o país já deixou de ser apenas um corredor de exportação para os grandes produtores da América Andina. Mais do que isso, estamos nos tornando um mercado preferencial e uma base de importantes "parceiros" dos narcotraficantes.
O Brasil fornece aos laboratórios clandestinos da Colômbia, da Bolívia e do Peru os insumos básicos para a fabricação da cocaína. Na década passada, o território brasileiro chegou a ser considerado como o de maior trânsito mundial de éter e acetona. Esses produtos são facilmente contrabandeados pela porosa fronteira amazônica, seguindo o sentido inverso das rotas de trânsito de drogas para o Brasil. E, como se não bastasse, a cocaína também passou por uma grande popularização no país, principalmente pelo uso, entre as camadas mais pobres da população, de sua forma mais letal: o crack.
Segundo o Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), da Unifesp, os usuários de cocaína estão espalhados por todas as classes sociais. Antes, seu consumo era sinal de status. Por ser muito cara, ela era usada por executivos, artistas e atletas. Hoje, o baixo custo do crack, uma variação da cocaína, permite que pessoas de classes menos favorecidas tenham acesso à droga. O crack está presente entre meninos de rua, estudantes e adultos, sem grupo ou idade específica.
Há também outros dois fatores para a popularização da cocaína no Terceiro Mundo. Em primeiro lugar, seu preço despencou no mercado internacional: há duas décadas, o grama chegava a US$ 100; hoje, não passa de US$ 5. Além disso, houve o aumento do consumo de drogas sintéticas, como o ecstasy, no EUA e na Europa, o que reduziu a procura pela cocaína nessas regiões.
Violência Urbana

Um levantamento sobre o uso de drogas entre estudantes de 1º e 2º graus em dez capitais brasileiras, realizados pelo Cebrid em 1997, revelou que 2% dos estudantes já fizeram uso de cocaína em algum momento da vida e 0,8% faz uso freqüente da droga. Esse mercado potencial extrapola o campo da saúde pública e acende um problema de segurança: os varejistas e atravessadores de drogas passaram nas últimas décadas a dominar áreas urbanas pobres, aproveitando-se da ausência de um Estado atuante e da falta de perspectivas sociais. "Os morros se tornaram um símbolo da incapacidade do Estado de suprir as necessidades do cidadão", diz o sociólogo Humberto Dias. "Esse vácuo foi ocupado pelos pequenos e médios traficantes, já que a venda de drogas e a marginalidade se tornaram formas de ascensão social".
O tráfico muitas vezes emprega menores de idade, criando uma situação ainda mais delicada nas grandes cidades. Em São Paulo, o comércio de drogas já é a segunda maior causa de internação na Febem (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor), atrás apenas do roubo qualificado. Para Dias, há ainda outra agravante: o tráfico de armas: "A violência na luta pelo controle do narcotráfico alimenta e é alimentada pelo tráfico de armas. Isso multiplica o problema de forma vertiginosa".
Crack e Heroína

Um outro dado preocupante é o uso crescente do crack. Na análise da população de meninos de rua em seis capitais brasileiras, feita pelo Cebrid, o crack mostra-se extremamente significativo em São Paulo, onde 47% dos entrevistados já fizeram uso pelo menos uma vez da substância.
Apesar de crack e cocaína serem ambos obtidos a partir da pasta-base de coca, o primeiro é significativamente mais barato, já que é um produto mais grosseiro. A pasta-base é obtida pela mistura das folhas esmagadas com querosene e ácido sulfúrico diluído. Para ser transformada em pó, essa pasta passa por outras etapas de produção, nas quais são usados o éter, a acetona e o ácido clorídrico - que são insumos caros.
Para fabricar a pedra, a pasta apenas é misturada ao bicarbonato de sódio, numa operação bastante simples. O nome "crack" vem do barulho que essas pedras fazem ao serem queimadas em cachimbos improvisados.
Além de mais barato, o efeito do crack é muito mais rápido e mais forte do que o da cocaína cheirada ou injetada. Ao ser fumado, ele atinge o cérebro em cerca de oito segundos, após passar pelos pulmões e pelo coração. Vicia com apenas três ou quatro doses. O efeito dura de 1 a 2 minutos. Segundo o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, diretor da Unidade de Álcool e Drogas da Unifesp, o crack é a droga com maior capacidade de criar dependência.
Mas, como não poderia deixar de acontecer num país de extremas desigualdades sociais, o Brasil mostra que também tem mercado para uma droga bem mais cara: a heroína. Tudo indica que seu consumo cresceu no país, junto com o aumento de 12% da produção na vizinha Colômbia, que hoje detém 1% da produção mundial. Como explicar esse incremento? "Promissores mercados próximos para um produto de alto valor", diz o economista Eduardo Brandão. O grama de heroína custa, no mercado internacional, cerca de US$ 200.
Ainda é cedo para afirmar que ela será uma "droga da moda" no Brasil. Mas, segundo Brandão, como a tecnologia de produção avança rapidamente, "é preciso cuidado para que a heroína não vire também uma droga popular".
Crack Princípio Ativo: Cocaína, extraída da planta Erytronxylon coca Como age: O crack, cocaína sob a forma de pedras, é fumado pelo usuário. No pulmão, ele é absorvido com rapidez e chega ao cérebro em cerca de 8 segundos, enquanto que a cocaína, sob a forma de pó, leva de 10 a 15 minutos para agir. Assim como a cocaína, o crack produz sensações de poder, euforia e desinibição, mas seu efeito só dura cerca de 2 minutos (ao contrário dos 45 minutos causados pelo pó). Por isso, é a droga que mais causa dependência. Danos ao organismo: O crack produz insônia, falta de apetite e hiperatividade. Seu uso prolongado causa sensação de perseguição e irritabilidade, o que leva o usuário a agir de forma violenta. Além de distúrbios cardiovasculares, a droga causa danos permanentes no cérebro e complicações respiratórias, envolvendo bronquite e tosse persistente
Consumo de crack em cachimbo improvisado
Usuários da droga na região de São Paulo conhecida como cracolândia


Fonte: Revista Galileu Especial nº3