domingo, 26 de setembro de 2010

REFLEXO DO ALCOOLISMO no trabalho

“Tentei sozinha, de todas as formas controlar minha compulsividade perante o álcool e não consegui.”


Meu primeiro emprego foi em uma escola de música onde eu fazia o curso. Atendia na secretaria da escola, coisa simples, quando eu tinha por volta de uns dezesseis anos. Mesmo conhecendo os donos e tendo boa convivência com eles não durou um mês, pois em decorrência de uma bebedeira no dia anterior cheguei extremamente atrasada e sem nenhuma condição de lidar com o público. Conversaram com minha mãe, que já vinha se assustando com a minha maneira de beber, mas que, infelizmente, não sabia como me ajudar.

Depois comecei a trabalhar em uma empresa onde diariamente exercia toda a minha liderança para levar as pessoas ao bar. Todos os dias! Bebendo até fechar o boteco, geralmente com um único amigo que conseguia a mesma proeza que eu...
Chegamos a ser advertidos por amigos de que nossa atitude vinha "queimando nosso filme" e, tentamos até maneirar.

Pensamos, inclusive, em mudar de bar. Fazia todo o meu trabalho com muita competência e, acho que por isso, toleravam todos os meus atrasos, meu chegar no trabalho com a cara inchada e exalando álcool. O dono da empresa, que era pai de uma amiga não se importava, achava graça, pois ele era pior que eu em algumas circunstâncias. Mais uma vez não havia ninguém para me alertar que talvez eu tivesse um problema!

Deviam todos achar que fazia por hábito, por gosto, por sem-vergonhice... Como pensariam diferente se eu mesma acreditava veementemente que me comportava de tal maneira exatamente por esses motivo. Até porque eu estava beirando os dezoito anos e é totalmente compreensível que uma pessoa de dezoito anos queira agir dessa forma.

Bem, no meu emprego atual não foi diferente. Semanas antes de ingressar em A.A. eu estava cometendo todos os tipos de faltas no trabalho. Faltando nas segundas-feiras, me atrasando e o pior, não produzindo.
Alguns colegas me viam chegar e já soltavam suas piadinhas “catcha, tomou todas, hein?” Eu mesma costumava dizer que estava "mão de Horácio" (da história em quadrinhos), porque mal conseguia alcançar o teclado do micro pra trabalhar.

Não, não houve ninguém para me dizer de A.A. e do alcoolismo.

Eu havia perdido a confiança de meu chefe e o respeito dos colegas de trabalho, o que começou a me preocupar.

A essa altura do campeonato eu já questionava se fazia por prazer ou por falta de controle e comecei a achar que fosse portadora dessa doença.

Fui procurar esclarecimentos para minhas dúvidas em uma sala de A.A. e não me lastimo por não ter sido alertada antes.

Não tive dificuldade para entender que sou uma alcoólica em decorrência de todos esses anos em que estava na ativa, porque emocionalmente cheguei ao meu fundo de poço.

Hoje, com 24 anos, já posso aceitar isso porque tentei sozinha de todas as formas controlar minha compulsividade perante o álcool e não consegui.

Perdi, perdi para álcool.

Tenho muito medo dele e é por isso que estou aqui.

Em A.A. venho me conhecendo verdadeiramente. Sei, a cada depoimento, que não sou diferente e que em Alcoólicos Anônimos há um lugar pra mim.

Que o Poder Superior continue nos iluminando!

Infinitas 24 horas para todos!
LuSPH/São Paulo

Retirado da revista Vivência do A.A.

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