sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Por que isso, Brasil?





Estamos vivendo, neste exato momento, uma epidemia terrível de drogas, de todos os tipos, possíveis e inimagináveis.

Ainda não nos demos conta do que pode vir a acontecer com o nosso direito de ir e vir. As drogas estão invadindo nossas vidas de maneira sorrateira e sutil. Ela se camufla e se fortalece cada vez mais, em um processo de mutação inesgotável.
Com o uso de drogas, não dá para apertar ctrl z, não dá...
Um dia desse, vi um tipo de droga que nunca havia visto antes. Era um papelzinho, quase transparente, que era rapidamente dissolvido na língua. Ele não apresentava cor, sabor nem cheiro. Deus, assim fica muito mais difícil para a família tomar providências, enquanto é tempo.
Existem campanhas a respeito de drogas? Sim, existem. Mas, não acho que ela iniba o uso de ninguém e muito menos atue de uma forma concreta, direta e informativa. As pessoas que estão no início do uso, não se identificam com a degradação que tais campanhas mostram. Eles, (os jovens principalmente), ainda estão na fase de "namoro", e é muito pouco provável que sequer acreditem que poderão, devido ao uso, chegarem até aquele ponto de degradação. Pensam que tudo mostrado ali é exagero. E, que tais imagens, é apenas uma forma exagerada de amedronta-lo. O que deveriam contar as pessoas, é que para tudo existe um preço a ser pago, e o preço do uso de droga é quase sempre impagável.A droga só subtraí seus sonhos.
Os danos causados ao cérebro, muitas vezes são irreversíveis. Tal como aconteceu com um dos meus irmãos. Um esporádico usuário de drogas, que se tornou obcecado pelo uso, entrou em uma louca viagem, e não voltou mais. Ficou preso no mundo da esquizofrênia, para sempre.
Aqui perto da minha casa, tem uma cracolândia, meu Deus... Que triste ver aquelas pessoas, que trocaram tudo que tem, por uma onda que dura apenas cinco segundos. Estas pessoas parecem zumbis, mortos vivos, pronto a atacarem. Eles se multiplicam a cada dia.
Certa vez, eu estava conversando com um morador de uma perigosa comunidade, aqui próximo da minha casa, e ele me disse que não podia mais deixar passarinhos, bicicleta, vaso de plantas em seu quintal. Eu disse-lhe: -Como assim? Ele falou: É verdade Darléa, se eu deixar qualquer coisa que valha o mínimo que for, os viciados roubam. Não acreditei! No meu tempo de uso não era assim. Ainda existia o mínimo de respeito, pelo menos dentro da favela. Hoje, isso já não existe mais. Para termos uma ideia de como a pessoa sob o entorpecer da droga, é capaz de coisas tão insanas que chegam a ser absurdas. No meu tempo, roubar na favela, era se condenar a morte, com requintes de crueldade. Hoje, desafiam a vida e se entregam, como se, ao usarem, perdessem todo o senso de dignidade e perigo.
Não adianta alertar, conversar, avisar... ELES NÃO POSSUEM MAIS SENTIMENTOS! A droga os transformara em uma pessoa irreconhecível. Por fora, alguém que pensamos conhecer, por dentro, verdadeiros estranhos em nosso ninho. Prontos a arquitetar qualquer coisa para obter mais uma dose.
Passei por uma cracolândia e vi criancinhas, meninos e meninas, com no máximo cinco anos. Usando a luz do dia, então, chorei. Chorei de impotência, de dor, de pena do nosso futuro que supostamente estaria nas mãos de alguma criança daquela, que com certeza, não chegará a idade adulta. Pelo menos inteiro, não...
Se não fossem as drogas, trabalhando sem trégua, com ferrenho afinco do que nossas autoridades, para ceifar suas vidas, sei que poderiam encontrar recuperação, ah como sei... Mas quem se importa? Quem estaria disposto, por um propósito de vida a entrar, tal como Daniel, na cova dos leões? Ninguém... Tudo me parece politicagem, troca de favores, e muita sujeira ainda entrará debaixo desse tapete da desonra.
Será que o nosso futuro é este? Então estaremos todos condenados a sermos reféns do uso, mesmo sem usarmos?
Quando estas pessoas começarem a invadir as pistas, em MULTIRÃO, nada poderá de-los. Haverá momentos que se multiplicarão, feito ratos. Saindo do lixo em bandos. abateremos um, e aparecerão mais um milhão. Assustador, né?
Este é um desabafo de alguém, que vê a cada dia, pessoas agindo como se este problema simplesmente não existisse.
O governo libera uma verba de esmola a centros de dependência química, que não dá para mantê-lo em funcionamento. Por isso. quase sempre fecham suas portas envoltos a imparcialidade daqueles que poderiam, SE QUIZESSEM, ajudar, mas, não ajudam....
QUANDO ACHAMOS ALGUM LUGAR PARA INTERNAR GRATUITAMENTE NOSSOS ADICTOS, não são centros de recuperação. Na maioria das vezes, são espaços filantrópicos, religiosos, ou com propósitos duvidosos. Pois, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que conseguirmos uma internação involuntária ou não em algum lugar que não seja no hospício. Exitem sim, várias clínicas de recuperação, que mais parecem um Spa. Porém elas são caras, e provavelmente o adicto pensará que está em uma colônia de férias, e não em um sério tratamento. Salvo as exeções para alguns lugares, que apesar de belo, tratam o adicto a base de 12 passos em uma mão, e punho de ferro na outra. Fora disso, é tudo balela!
Pobre daquele que depender do governo para se recuperar. Pobrezinho...
Este mesmo governo que se omite diante do caos da degradação humana, e da perda imensurável de valores, é o mesmo que faz ouvido de mercador, quando pessoas armam grandes passeatas, para defenderem a descriminalização das drogas. Gente isso é sério... A mesma mão que levantará cartazes pró uso, será aquela que aparecerá estendida pedindo misericórdia ao governo e aos seus dirigentes, procurando desesperadamente ajuda para pararem de usar. Quando estiverem enfiados até o pescoço nas drogas, terão apenas o frio olhar do atendente de algum hospital, dizendo em tom de desdém: NÃO TEMOS VAGAS!
Esse é o desabafo de uma cidadã, preocupada com a onda de mortos vivos que vem se formando por aí afora !

Acorda Brasil!

Escrito por  Darléa Zacharias

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