domingo, 27 de fevereiro de 2011

Drogas: numa abordagem social complexa



No fim de novembro de 2.010, numa ação televisionada e que envolveu esforços das polícias civil, federal, militar e ainda o apoio das forças armadas, o "Morro do Alemão", no Rio de Janeiro, se viu liberto do tráfico de drogas.

Num espetáculo quase cinematográfico os bandidos foram expulsos de seus quartéis generais, e a paz e a segurança voltaram àquela megafavela carioca, depois de décadas de opressão dos criminosos.

A rapidez com que o "Morro do Alemão" foi liberto dos traficantes traz a falsa e inocente impressão de que é fácil enfrentar e conter o problema das drogas. Em verdade, o que vimos no Rio de Janeiro não foi a destruição de instituições criminosas, mas tão somente a expulsão das mesmas para outras regiões, onde poderão se reorganizar e voltar à sua rentável rotina de crimes.

A expansão do tráfico de drogas no Brasil é fato facilmente perceptível, o que demonstra a absoluta inaptidão e ineficiência de nossas autoridades em desenvolver e aplicar um programa integrado de combate e controle do mesmo.

O Brasil tem fronteiras terrestres mais de quinze mil quilômetros de extensão, a grande maioria desta com vigilância precária ou inexistente, dando todas as condições para que drogas e armas adentrem ao país, vindos, sobretudo, da Colômbia, Paraguai e Bolívia. Nosso espaço aéreo tem um policiamento extremamente falho, especialmente em áreas pouco povoadas de Mato Grosso e Amazonas.

Lado outro, o tráfico de drogas encontra-se cada vez mais organizado, mantendo uma estrutura com administração quase empresarial, que movimenta grandes quantias em dinheiro, e conta com a participação de agentes estatais corrompidos.

Hoje no Brasil a pena para quem incorre no delito de tráfico de drogas é de no máximo quinze anos, podendo o condenado submeter-se a progressão de regime. Ora, os chefões do tráfico nunca se ressocializarão, pois os ganhos do crime sempre serão atraentes. Logo, estas pessoas devem ficar o máximo de tempo possível afastadas do convívio social, pelo bem da sociedade, que só tem a perder com estas presenças deletérias.

Mais do que manter os traficantes por um prazo razoável na prisão, esta deve ser capacitada a impedir o criminoso de, mesmo recluso, comandar sua organização criminosa, como se tem visto atualmente.

Por fim, não basta coibir o tráfico, deve-se atuar na sua razão de ser, que é o consumo de drogas. Muitos dos usuários, talvez a maioria, tem interesse em abandonar o vício e retomar uma vida saudável e feliz, porém, é fato que o sistema público de saúde não dispõe de estrutura e de programas adequados à abordagem e enfrentamento consistente do problema.

A complexidade da problemática das drogas demanda não apenas o uso da força, mas também da inteligência e de um desenvolvimento de programas que, atuando sobre os usuários, reduzam o mercado consumidor dos entorpecentes.

Diante da problemática das drogas não devemos nos iludir e imaginar que a solução é simplória. Somente com uma ação integrada de diversos setores do estado, não apenas com o uso da força poderemos ver o tráfico de drogas, se não integralmente debelado, pelo menos minimizado e controlado.

O ideal é parar de tratar os sintomas e curar o mal pela raiz.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A curva da recaída de dependentes químicos e alcolistas

Características da Dependência Química. 

1) É uma doença crônica que leva a pessoa a progressiva mudança de comportamento, gerando adaptação à doença, uso dos químicos com a finalidade de proteger o uso dos químicos

2) Ë UMA DOENÇA DE NEGAÇAO, IMEDIATISMO E ISOLAMENTO.

3) É UMA DOENÇA COM TENDÊNCIA A RECAÍDA.

O tratamento



O Tratamento exige do paciente uma verdadeira reeducação em todas as áreas afetadas, paralelamente a uma profunda revisão em seu sistema de crenças.
A recuperação/tratamento pode levar o dependente a uma verdadeira luta interna, "entre as suas limitações, do ser doente e do querer ser normal". O dependente deve abrir mão dos “ganhos secundários" que a doença oferece.
O dilema do D. Q. não é ir à primeira dose, é a sua inabilidade de lidar com a vida sem usar".
Assim como o uso abusivo de químicos é apenas um dos sintomas da dependência química, a abstinência total é apenas o primeiro passo na direção da recuperação.
RECUPERAÇÃO = Abstinência total + Reformulação (mudança no estilo de vida).



OS ASPECTOS FACILITADORES DA RECAÍDA

1) O Estigma - Tanto o indivíduo como a sociedade têm memória.
2) A Negatividade – É conseqüente da própria inabilidade de viver
3 ) Diagnóstico e Conduta Equivocados - Por ser uma doença de negação, o relacionamento do D. Q. com os profissionais de saúde pode ser pautado por mentiras, meias-verdades, minimizações, etc. e ‘induzir’ o médico a um erro.
A dependência química é uma doença de negação. e a negação é reativada tão quanto os sintomas da recaída. antes de usar.


O ESQUEMA GERAL DAS RECAÍDAS

A Recaída é um processo que culmina com o uso.

EXPECTATIVA DESMEDIDA

FRUSTRAÇÃO/MÁGOA
RAIVA/RESSENTIMENTO

CULPA/ AUTOPI EDADE
ISOLAMENTO
DROGAS/ÁLCOOL

Com o comportamento emocional no processo recaída, se passa a acreditar que há somente três saídas:

Loucura, suicídio ou voltar a usar.

A instrução sobre o processo da Recaída é o principal e mais apropriado meio de ajudar o D. Q a identificar e controlar a Potencial de Recaída de sua doença.

" A recuperação, começa a acontecer quando o dependente químico admite e aceita sua dependência e se entrega ao tratamento por toda a vida, um dia de cada vez.

Existem sinais/sintomas na abstinência que denunciam a entrada no Processo da Recaída:

a) O Porre Seco- Intolerância crescente, irritabilidade constante;
b) O Porre Adormecido- Apatia, desmotivação, inatividade; 
c) A Grandiosidade = Onipotência – “Eu sei tudo, tenho todas as respostas / as certezas”.
d) O Desafio –“Eu posso tudo, só não posso me drogar” - a freqüência a locais de ativa/ o relacionamento com pessoas que estão se drogando.
O dependente químico é responsável por todo o seu comportamento e decisões que acompanham a recaída.


A curva da recaída


1 ) Mudança na percepção da doença e das necessidades do tratamento
2) Mudança no comportamento. Antigos padrões de comportamento voltam a ser atuados.
3) Tenta impor o seu padrão individual de recuperação aos outros.
4) Comportamento compulsivo ( sexo, comida, trabalho, compras, etc. ).
5) Foge ao confronto.
6) Comportamento impulsivo, intempestivo, com “ataques de raiva”.
7) Inclina-se para o isolamento.
8) Tendência para "Visão de Túnel".
9) Pensamento desejoso começa a substituir o pensamento realístico.
10) Foge através do sono.
11) Persegue objetivos irrealísticos. Planos começam a falhar.
12) Concentração é substituída pela fantasia.
13) Planos são calcados em metas inatingíveis. Forma-se um padrão de fracasso. Frustração.
14) Pensamentos tipo: " bem que eu tentei, mas não funcionou". começam a tomar corpo.
15) Imaturo desejo de ser feliz.
16 ) Indiferença e desatenção. Mostra-se incapaz de iniciar uma ação e desenvolvê-la.
17) Períodos do confusão mental, aumentando em termos de freqüência, duração e severidade.
18) Irritabilidade e intolerância crescentes, com familiares, colegas de tratamento e amigos.
19) Comportamento explosivo. Inicia fase de perda de controle das emoções.
20) Hábitos irregulares na alimentação. Come em excesso ou não come.
21) Sensação de estar sobrecarregado.
22) Mostra-se incapaz de cumprir compromissos.
23) Começa a faltar às reuniões de tratamento ( Terapia, AA/NA).]
24) Perturbações no sono. Sono agitado, desassossego, insônia.
25) Períodos de depressão. Inclina-se ao isolamento e reage ao contato humano com agressividade.
26) Aumenta a irregularidade às reuniões de tratamento. A freqüência torna-se esporádica.
27) Atitude do “eu não me importo”, disfarça sentimento de desamparo.
28) Pensa em voltar a usar. A abstinência é vista e racionalizada como uma experiência ruim. Acha que usando pode voltar a se sentir melhor.
29) Volta a mentir de modo consciente.
30) Afasta-se por completo dos canais de ajuda.
31) Volta a se sentir bode expiatório de todas as situações
32) Sensação de estar sendo esmagado.
33) Medo de enlouquecer.
34) Pensamento em se matar.
35) Volta a usar drogas/álcool)
36) Tenta controlar o uso e suportar as conseqüências danosas.
37) Perda de controle. (Novo Fundo de Poço).

No processo de recuperação do dependente químico há a necessidade de se ter, sempre, duas habilidades:



1- A habilidade para evitar a entrada no processo de recaída.
2- A habilidade para interromper o processo de recaída.

Plano de intervenção a recaída

1) O paciente é instruído sobre o Processo da Recaída, através da revisão periódica dos sintomas de advertência. O objetivo é identificar os indicadores de que ele está se retirando de uma vida confortável e produtiva, “obrigando-se” a uma recaída.

2) Uma  vez reconhecido os sinais do potencial da recaída começa-se a trabalhar as mudanças necessárias para que o paciente evite entrar e continuar neste processo. 










Respeite a si mesmo



Respeitar a si mesmo em primeiro lugar, 
porque somente desta forma poderá respeitar o outro.
Temos o nosso valor Moral individual, 
e não devemos deixar que a falta de respeito conosco mesmo, 
seja uma porta aberta para nos tornarmos pessoas tristes e solitárias.
Se aprendermos a entender e a reconhecer nossas faltas, 
teremos condições de respeitar as faltas alheias 
e cobraremos menos do outro atitudes, que muitas vezes nós teríamos que ter.
Quando não temos o devido respeito por nós mesmos, 
muitas vezes caminhamos por caminhos tortuosos porque 
o discernimento e o equilíbrio nos faltam, 
deixando-nos com uma capacidade incrível de enxergar 
a vida como se ela fosse nossa inimiga.
Questionamos Deus e sua existência , sem razão para isso, 
porque nós mesmos não respeitamos as Leis Divinas, 
queremos todas as resoluções de nossos problemas 
no momento em que queremos e esquecemos que Deus, 
rege nossa vida e nos dá aquilo que precisamos para nos tornarmos melhores.
Não temos outra saída para nosso adiantamento Moral 
a não ser o respeito para conosco, somente desta forma 
poderemos respeitar nossos semelhantes e aceitá-los como se apresentam a nós.
Respeite-se sempre, dê a você a chance de melhorar-se Moralmente, 
porque desta forma terá sempre condições de respeitar o seu próximo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Co-dependência



Quando uma pessoa independente suporta e incentiva a dependência do outro.

Muitas vezes, pensamos que somos a melhor pessoa do mundo porque agradamos aos outros e não a nós mesmos. Interrompemos nossas atividades para atender ao chamado alheio. Fazemos sempre mais do que os outros nos pedem, e, habilidosamente, antecipamos seus desejos e abrimos mão dos nossos com extrema facilidade. Depois, ficamos chateados quando os outros não fazem o mesmo por nós! 

Atenção, se você se identificou com esta curta situação, leia com atenção este texto, pois você pode estar sendo um co-dependente: alguém que acredita ser responsável pela felicidade alheia, mas que pouco cuida da sua...

Semana passada, refletimos sobre a dependência sadia; agora, iremos pensar sobre quando a dependência se torna um fato negativo, isto é, quando uma pessoa independente suporta e incentiva a dependência do outro.

Não é simples perceber que estamos fazendo este papel de salvador, pois os co-dependentes têm muita dificuldade de conhecer seus sentimentos: estão habituados a se sacrificar pelos outros e nem se dão conta de que, em vez de controlar a sua própria vida, dedicam todo o seu tempo a controlar a vida dos outros. 

Como co-dependentes, dizemos sim, mas na realidade queremos dizer não; fazemos coisas que não queremos realmente fazer, ou fazemos o que cabia aos outros fazer. 

Uma atitude co-dependente pode parecer positiva, paciente e generosa, pois está baseada na melhor das intenções, mas, na realidade, é inadequada, exagerada e intrusa. A questão é que os co-dependentes estão viciados na vida alheia e não sabem mais viver a sua própria. Adoram dar, mas detestam receber, seja atenção, carinho ou ajuda. Desta forma, quanto mais se dedicam aos outros, menos autoconfiança possuem. Afinal, desconhecem os seus próprios limites e necessidades!

A co-dependência se inicia quando uma pessoa, numa relação comprometida com um dependente, tenta controlar seu comportamento na esperança de ajudá-lo. Como conseqüência dessa busca mal sucedida de controle das atitudes do próximo, a pessoa acaba perdendo o domínio sobre seu próprio comportamento e vida.

Em outras palavras, se ao nos dedicarmos aos outros estivermos nos abandonando, mais à frente teremos de nos confrontar com as conseqüências de nossa atitude ignorante. 
Reconhecer nossos limites e necessidades é tão saudável quanto a motivação de querer superá-los. 

Sentir a dor do outro não quer dizer ter que repará-la. Este é nosso grande desafio: sentir a dor com o intuito simplesmente de nos aproximarmos dela, em vez de querer transformá-la de modo imediato.

É preciso deixar claro que ter empatia não tem nada a ver com a necessidade compulsiva de realizar os desejos alheios, própria dos relacionamentos co-dependentes. 

Stephen Levine, em Acolhendo a pessoa amada (Ed. Mandarin), nos dá uma boa dica para identificarmos se nossos relacionamentos são saudáveis ou não: Na co-dependência, as balanças sempre pendem para um lado. É freqüente que um tenha de estar ‘por baixo’ para que o outro se sinta ‘por cima’. Não há equilíbrio, somente a temida gravidade. Em um relacionamento equilibrado não há um ‘outro dominante’; os papéis estão em constante mudança. Quem tiver o apoio mais estável sustentará a escalada naquele dia.

A troca equilibrada entre ceder e requisitar, dar e receber afeto e atenção nos aproxima de modo saudável das pessoas que nos cercam sem corrermos o risco de criar vínculos destrutivos. Assim como esclarece John Welwood, Em busca de uma psicologia do despertar (Ed.Rocco): O paradoxo do relacionamento é que ele nos obriga a sermos nós mesmos, expressando sem hesitação e assumindo uma posição. Ao mesmo tempo, exige que abandonemos todas as posições fixas, bem como nosso apego a elas. O desapego em um relacionamento não significa que não tenhamos necessidades ou que não prestemos atenção a elas. Se ignoramos ou negamos nossas necessidades, cortamos uma parte importante de nós mesmos e teremos menos a oferecer ao parceiro. O desapego em seu melhor sentido significa não se identificar com as carências nem com as preferências e aversões. Reconhecemos sua existência, mas permanecemos em contato com nosso eu maior, onde as necessidades não nos dominam. A partir desta perspectiva, podemos escolher afirmar nosso desejo ou abandoná-lo, de acordo com as necessidades do momento.

A empatia começa com a capacidade de estarmos bem conosco mesmos, de reconhecermos o que não gostamos em nós e admirarmos nossas qualidades. Quanto melhor tivermos sido compreendidos em nossas necessidades e sentimentos quando éramos crianças, melhor saberemos reconhecê-las quando adultos. 

Entrar em contato com os próprios sentimentos é a base para desenvolver a empatia. Como alguém que desconhece suas próprias necessidades poderá entender as necessidades alheias?

Se você quiser ler mais sobre a co-dependência, leia o livro: Co-dependência nunca mais de Melody Beattie (Ed. Record). Abaixo, seguem alguns itens que, segundo a autora, os co-dependentes adoram fazer:

- Considerar-se e sentir-se responsável por outra(s) pessoas(s) – pelos sentimentos, pensamentos, ações, escolhas, desejos, necessidades, bem-estar, falta de bem-estar e até pelo destino dessa(s) pessoa(s).
- Sentir ansiedade, pena e culpa quando a outra pessoa tem um problema.
- Sentir-se compelido – quase forçado – a ajudar aquela pessoa a resolver o problema, seja dando conselhos que não foram pedidos, oferecendo uma série de sugestões ou equilibrando emoções.
- Ter raiva quando sua ajuda não é eficiente.
- Comprometer-se demais.
- Culpar outras pessoas pela situação em que ele mesmo está.
- Dizer que outras pessoas fazem com que se sinta da maneira que se sente.
- Achar que a outra pessoa o está levando à loucura.
- Sentir raiva, sentir-se vítima, achar que está sendo usado e que não senta sendo apreciado.
- Achar que não é bom o bastante. 
- Contentar-se apenas em ser necessário a outros.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Carta de um adicto em recuperação a sua mãe

O Repórter Record desta segunda-feira (19) fala sobre o crack, droga que segundo autoridades policiais e de saúde atinge cerca de um milhão de famílias brasileiras. Um dos personagens do programa, Raphan Salles Gibson, foi internado à força com autorização da Justiça. Depois de um tempo em tratamento, o internado sofre a cada semana e pede desculpas à mãe por todos os transtornos. Em um destes momentos escreveu uma carta de desculpas a ela. 


“Clínica CRAD Peruíbe, 15 de abril de 2010



Querida mãe, desejo que esta carta chegue até você de uma forma que te traga paz e esperança.



Antes de qualquer coisa quero te pedir uma coisa, "perdão", perdão por frustrar seus sonhos, por não ter sido filho que você sempre sonhou e o que mais me machuca é não ter correspondido à altura ao seu amor incondicional. No passado sonhamos juntos com uma vida diferente para nós, queríamos uma vida repleta de alegrias, vitórias e a abundancia dos melhores sentimentos que existem na fase da terra, mas a minha vida tomou um rumo no qual perdi o controle de tudo, me tornei uma pessoa sem sentimentos, mãe na verdade não era eu e nem sei como cheguei a esse ponto, principalmente depois de todo o amor com que me criou e educou.



Mãe, deixei me levar pelas más amizades, pelas drogas e por influencias externas, por prazeres que até então desconhecia, de uma forma mãe que tomou totalmente conta de mim, hoje eu pago o preço das minhas escolhas, escolhas estas a qual a senhora sempre me alertou, mãe perdão, perdão por não ter lhe dado ouvidos, se arrependimento matasse eu já não estaria mais lhe escrevendo, mas tudo nesta vida é um aprendizado por mais doloroso que seja, o caminho o qual eu trilhei.

Mãe quando olho para mim e me deparo com os erros do passado, não entendo por que fui buscar a droga como consolo e companhia para esquecer os meu problemas (sic) e fugir das minhas responsabilidade.
Sabe mãe, uma experiência de vida dolorosa, onde vi de tudo que a senhora possa imaginar, vi meninas de família se prostituindo, pessoas sendo espancadas por simples centavos, vi pessoas morrerem ao meu lado mãe, de tanto usarem o "crack", vi também pessoas que não precisavam se tornar bandidos, até um casal onde a esposa se prostituia para que ambos pudessem usar, sabe mãe quando olhei param mim, vi que a droga me levou a um estado o qual eu jamais imaginei que chegaria onde a senhora viu muito bem, sabe mãe hoje sinto vergonha do estado que cheguei e ao ponto que cheguei, onde muitos mendigos estavam melhores que eu, cheguei até a me tornar aviãozinho para poder obter a droga, mãe me perdoe era muito mais forte do que eu e já não conseguia pensar em mais nada a não ser como fazer para ter mais.


Sabe mãe após ter tido a oportunidade de estar limpo vejo as coisas e o mundo ao meu redor de uma forma diferente, vejo que nada nesta vida é por acaso, hoje sei que isso é uma doença, vejo também mãe que há esperança de uma nova vida livre da escravidão nas drogas e se Deus permitiu que tudo isso viesse a acontecer comigo foi para o meu crescimento. Mãe, agradeço a Deus por ter me guardado em todos os momentos difíceis que passei em minha vida e por ele não ter permitido que a senhora me abandonasse, agradeço principalmente a atitude que senhora tomou, pois eu estava insano e não conseguia pedir ajuda, mesmo sabendo que estava me matando, agradeço a oportunidade que hoje tenho de me recuperar aqui na Clínica CRAD, com pessoa que me ajudam nesta nova jornada da minha vida, sabe mãe aqui também tem pessoa que passaram pelo que eu passei e hoje estão bem, conseguiram superar o horror da vida nas drogas e hoje são exemplos para mim.

Quero uma transformação de vida mãe, transformar o negativo em positivo, sofrimento em alegria, ser o filho que a senhora sempre sonhou e voltar a vê-la sorrir.
Sabe mãe hoje descobri que existe uma programação que pode me ajudar nesta nova fase que hoje vivo e pelo resto de minha vida, aqui aprendi a programação de 12 passos de narcóticos anônimos, onde aprendo a me conhecer melhor e superar minhas dificuldades. 
Mãe aprendi e sei muito bem que somos um anjo de uma asa só e que juntos podemos voar "ir" cada vez mais alto, aprendi também que a honestidade é à base da minha recuperação.


Mãe aqui é o lugar onde eu crio raízes, raízes fortes, por isso não me importo com o tempo, para que nenhuma tempestade venha a me derrubar, para que eu não volte ao inferno o qual nossas vidas se tornaram.



Mãe muitas pessoas não entendem esta doença e por isso nos discriminam, por muitas vezes fui tratado como bandido pela policia sem nunca ter tirado nada de ninguém a não ser da senhora que é a pessoa que mais amo, sabe a policia nunca me ofereceu qualquer ajuda e isso foi uma das coisas que muito me machucou, pois eu sempre os via como heróis e eles me trataram como marginal, mãe essa discriminação com a minha doença hoje muito me preocupa e me faz pensar se ainda conseguirei um bom emprego, afinal quem daria emprego a um adicto sem saber o que isso significa, mas tudo bem mãe um dia Deus vai tocar o coração dessas pessoas, antes que o problema seja na família delas.



Mãe, estou morrendo de saudades da senhora e de toda nossa família que hoje sei que são as pessoas que realmente me amam, bom vou ficando por aqui, espero que a senhora esteja freqüentando os grupos de ajuda, pois a senhora também ficou afetada com a minha doença e o grupo de nar-anon pode ajudá-la.



Mãe estou cada vez melhor, fique com Deus amo você mais que tudo nessa vida, de seu filho, Raphan Salles Gibson”.

Retirado do site R7

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Crack; 62% das usuárias se prostituem todos os dias para bancar o vício


Pesquisa mostra como vício destrói a vida de garotas pobres, como Caroline, no relato acima, e de garotas de classe média, como M, no relato abaixo
A vida de C, 19, cabe na mochila. "É minha casa, meu quintal e minha penteadeira", afirma ela. A bolsa de náilon é escudo em seu vai e vem pela cracolândia. Há quatro anos, sua rotina só mudou quando deu a luz.
Gerou duas órfãs do crack, a segunda em 29 de setembro. "Só fiquei uma noite com ela", conta, enquanto esvazia a mochila de objetos (Bíblia, caderno e rádio), roupas (dois tops, uma legging e um jeans) e produtos de higiene (xampu e óleo corporal).
Carolina retrata a entrada das mulheres no cenário do crack, em 2002. É quando as primeiras usuárias aparecem em programas de reabilitação na cidade de São Paulo.

ESCUDO

"Antes elas eram invisíveis", diz Solange Nappo, pesquisadora do Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), da Universidade Federal de São Paulo.

"Para o negócio, a presença feminina foi interessante. A mulher pode se prostituir e prover o crack para si e parceiros."

"Antes, os usuários do sexo masculino não duravam um ano, envolviam-se com a marginalidade e acabavam mortos. Com a mulher em cena, ela vira provedora."
Ao financiar o vício com o corpo, elas se expõem a doenças e à gravidez indesejada. Carolina descobriu ter sífilis, ao fazer o pré-natal. O posto público onde fez as consultas fica próximo das ruas por onde perambula em busca da droga consumida na gravidez. "Vomitava muito, mas não ficava sem." A droga a levou para fora do hospital 12 horas depois do parto. Fugiu da maternidade, deixando a recém-nascida. Fez o mesmo quando nasceu a primeiro filha, há um ano e meio. Dos seios de Carolina ainda jorram leite. "Amamentei minha filha uma noite.
Disseram que não ia sair com ela porque sou drogada. Então dei no pé."

Entre as 80 mulheres ouvidas na pesquisa qualitativa do Cebrid, os relatos são de múltiplas gestações. Uma delas estava na nona gravidez.

"Os filhos indesejados do crack são uma complicação a mais para o Estado", diz Solange.
"São abandonados por mães que não desenvolvem afeto por bebês gerados em situação de exploração."
Fugir de parceiros violentos é outra rotina. C anda se escondendo do suposto pai da filha.
Ele tem 39 anos e é viciado como ela. "Ele me encheu de porrada para eu ir me virar na rua."
O motivo da briga é um dos principais dados da pesquisa do Cebrid: 62% das usuárias de crack se prostituem todos os dias para bancar o vício.

INEXPERIÊNCIA

Na mochila de Carolina há espaço para camisinha dentro de um estojo de óculos. Mas quem dita o uso é o cliente.
"O fato de não serem prostitutas antes, complica a vida das usuárias de crack", afirma Solange.
"Elas não sabem lidar com clientes nem com os perigos da rua, ainda mais na fissura pela droga."
A quantidade de programas depende da necessidade. "Hoje, só fiz um", diz Carolina, no meio da tarde. Os R$ 16 vão virar "pedra" até o anoitecer, combina com uma amiga.
"Do que adianta ficar falando dessa vida?", indaga a mulher que aparenta uns 40 anos. Nega-se a dar entrevista ou mesmo o nome. "Se tô aqui é porque preciso."

A psicóloga Gisele Borsotte finaliza outro estudo, também do Cebrid, sobre a motivação de um grupo de 43 usuários de crack para cessar o consumo.
"Eles vão somando perdas em uma trajetória crescente de deterioração", diz. "Mas só têm motivação para tentar parar quando se veem diante da morte."
A cicatriz acima da sobrancelha é só um detalhe no rosto anguloso enfeitado por olhos amendoados. M, 32, não lembra como se machucou.
"Devo ter caído", afirma ela. Rara imprecisão sobre o seu mergulho no crack, ao longo de cinco dos seus 17 anos de adição.
Internada no Instituto Intervir, nos arredores de São Paulo, há pouco mais de um mês, ela destoa pelo perfil socioeconômico. "Tive berço e ótima formação escolar. Sou de uma família normal de classe média paulistana." Filha única, foi educada em um colégio tradicional. "Estudava em escola de rico. Meus pais podiam pagar, mas não tudo o que as outras crianças tinham. Batia a cabeça quando não tinha dinheiro, roubava meus avós."

PRIMEIRO CONTATO

Foi num retiro promovido pela escola que experimentou maconha, aos 15 anos. O uso seria recreativo até se apaixonar por um viciado em crack. "Fiz de tudo para tirá-lo daquela vida e acabei doente de codependência."
Parou de estudar, fugia de casa. Drogava-se. "Competia com a droga pela atenção do namorado. Tinha mais ciúme do crack do que de mulher."
Fez da cocaína antídoto contra insegurança, inclusive na gravidez -seu filho tem hoje 8 anos. "Usava dez papelotes por dia. Passei a usar um por semana. Administrava a droga como um remédio."
Não escondeu a prática de risco do médico do convênio que fez o pré-natal. O bebê nasceu prematuro. Justifica-se: "Se parasse, a angústia, os medos e a raiva de ter pedido tudo iam voltar. Prejudicaria mais o bebê".

SEM MORAL

Dois anos depois, M. perderia a guarda do garoto loirinho das fotos na cômoda. Ficou três sem vê-lo.
Hoje, faz visitas quinzenais. "Meu filho é saudável e faz terapia", afirma. "Não tenho moral. Ele bate no meu bumbum e me xinga de drogada."
O crack seria a próxima etapa. "Foi devastador. Fumava 14 pedras por dia." Parou na rua. "Eu me vestia bonitinha e pedia grana dizendo ter perdido a carteira.
Arrumava fácil R$ 100. Ter boa aparência ajudava." O golpe funcionou até o crack deixar marcas. "Fiquei feia, com olheiras enormes."
Sem-teto e distante de todos, começou a cair a ficha. "Vou ficar morando em albergue, sem nada, com infeção intestinal?" A moça fina vira prostituta. "Não me prostituía pela droga, mas para me livrar dela." Um ano depois, seria expulsa da boate por causa do álcool.

"A prostituição serviu para retomar a autoestima. Eu me arrumava para atrair clientes, mas não nasci para isso. Não deixei me machucarem mais." Veio a exaustão. "Não suportava mais acordar e dormir mal, a humilhação para conseguir droga."
Foi difícil abrir mão da adrenalina. "Os riscos são a melhor parte. Preenchem o que a droga tira. Camuflam a burrice de tá se acabando."
E ainda tem que lidar com crises de abstinência. "Tem aquelas agudas, que dói a cabeça. A do crack é pior. É psicológica. Fecha a mente."

FUTURO

Maiara quer esquecer as alucinações. "Uma vez, ajoelhada caçando pedrinhas de crack, ouvi uma respiração forte e uma voz: "Você não se ajoelha nem para Deus vai se ajoelhar pra mim?". Longe da loucura, diz ter jogado fora a máscara de vítima. "A droga não tem mais o que fazer de mim. Não tenho mais o que saber dela.  As drogas foram sua faculdade. "Vou transformar essa experiência em profissão para ajudar na recuperação minha e de outros. Só assim vou me perdoar."

retirado  da Folha de São Paulo 22/11/2010

Como adquirir a confiança que lhe falta

Reconheça o seu valor pessoal.


1.° Passo: Faça um registo dos seus êxitos 

Numere metodicamente os seus pontos fortes, tal como as ocasiões em que os utilizou positivamente. Seguem-se algumas perguntas que o poderão ajudar no caso de ficar bloqueado: 

• Em que áreas possui capacidades especiais? Estas poderão ser capacidades profissionais, de passatempos, desportivas, etc. 

• Que coisas tangíveis conseguiu realizar (êxito académico ou profissional, criar filhos, um bom casamento, êxito na vida pessoal, no esporte, etc.)? 


• Em que ocasiões teve o prazer de experimentar o êxito? Procure pela sua memória, indo o mais para trás possível, até à sua infância. 

• O que é que as pessoas que conhece apreciam em si? E por aí fora. Não se subestime. No que respeita a autoconfiança, é tão importante saber coleccionar selos como mudar uma vela no seu carro ou saber manter um bom ambiente familiar.

Leia e releia a sua lista de êxitos. Guarde-a consigo e acrescente-lhe alguns de vez em quando. Saboreie-a e impregne na sua mente a imagem positiva que ela representa, pois essa imagem positiva é você ! 


2.° Passo: Seja otimista 

Todos nós fracassamos uma vez ou outra. Até as pessoas mais carismáticas fracassam de vez em quando. Mas, ao contrário destas, a nossa reacção ao fracasso pode ser catastrófica. 

Muitos ficam a pensar sobre os obstáculos e as desilusões e acabam por se deixar dominar por eles durante a vida inteira. Será que você é  uma destas pessoas? Se é, então tem de mudar. 


As pessoas confiantes contam os seus êxitos e não os fracassos 



As pessoas confiantes contam os seus êxitos e não os fracassos. Esquecem-se do passado e concentram-se no presente e, claro, no futuro. Cada palavra e ação é iluminada pela luz do otimismo. 


3.° Passo: Mudar a sua reação ao fracasso 


Há vários ditados que são fruto da experiência popular. Aqui se seguem dois que deve manter sempre em mente: 

"Quem não arrisca, não petisca." 

"A sorte sorri aos audazes." 

De fato, os fracassos só podem ocorrer àqueles que arriscam, aos que ousam tentar. Se experimentou um fracasso, é porque ousou agir, arriscou e possui a qualidade da iniciativa! 

É só tentando que se pode ter êxito. Ponha-se em linha, aceite os riscos e logo verá que a Deusa da Sorte lhe sorri. 

Considere tudo o que faz como se fosse um jogo – às vezes perde-se, outras vezes ganha-se. Não existem fracassos que possam fazer diminuir o seu valor como pessoa; pelo contrário, eles provam que tentou, que mostrou coragem e iniciativa e que foi dinâmico. 

4.° Passo: Pare de ver fracassos por todo o lado 

Como é possível ver um fracasso, quando ele não existe? Logo verá ! 

1. É tempo de limpar o seu arquivo de fracassos. Faça uma lista dos seus fracassos pessoais, profissionais, atléticos e sociais. 

2. Quando a lista estiver completa, analise os fracassos individualmente. E muito provável que, nove em cada dez casos: 

• Aquilo que considera um fracasso seu, estava fora do seu controle, não tinha nada a ver consigo. 
• Aquilo que considera um fracasso, não foi bem um fracasso, mas simplesmente uma insatisfação. 

Por exemplo, algumas pessoas sentem-se mal por terem fracassado com os seus filhos, por não os terem encorajado a obterem uma boa educação, porque os seus filhos preferiam passar o tempo na praia a praticar surf em vez de irem para o colégio. Se é um destes pais, então é bom que se mentalize que a vida dos seus filhos lhes pertence a eles e que são livres de fazer o que quiserem. 

Se são mais felizes a praticar surf do que a fazer cálculos logarítmicos, isso é com eles. Você não é responsável! Você fez tudo o que pôde para que os seus filhos fossem felizes e equilibrados. Isto é tudo o que ser pai requer. 

3. Quando tiver analisado em pormenor a sua lista de fracassos, rasgue-a calma e lentamente, em mil pedaços. Faça-o cerimoniosamente, como se estivesse a executar um ritual simbólico extremamente importante. Depois, deverá experimentar uma sensação de renascimento e de purificação. Afirme-se 

A autoconfiança requer duas qualidades fundamentais: 

  • Saber recusar 
  • Saber pedir. 
Aprenda a dizer não 

Por que razão temos medo de dizer não? 

Passamos a vida a encontrar gente que tenta dar-nos ordens e manipular-nos, que tenta obter algo de nós, usar-nos ou, simplesmente, dominar-nos completamente, psicológica e fisicamente. 

Cabe-nos a nós fazer perceber a estas pessoas que controlamos o nosso espaço vital, a nossa integridade mental e emocional, o nosso tempo livre, o nosso dinheiro, etc. 

Alguma vez se encontrou a dizer sim, quando na verdade queria dizer não? Seja franco. A maioria de nós tem medo de dizer não. 

Se nunca aprendeu a dizer não, então está certamente a acumular uma dose tóxica de ressentimento. Sem dúvida, tem a sensação de estar a ser explorado e de ser a pessoa a quem todos pedem, porque diz sempre sim...

Aprenda a pedir 


Por que razão se tem de pedir? 

Porque afirmar-se requer mais do que responder negativamente. Afirmar-se significa também saber como pedir.  Outro provérbio que ilustra bem este ponto é: 

“Dar é mais doce que receber." 

Todos gostam de dar, pois dar faz crescer o ego, faz-nos sentir melhores e cria um sentimento profundo de satisfação. Mas se não se pede nada, corre-se o risco de se ser passado para trás. 

Os outros nem sempre podem adivinhar aquilo que se espera deles. Nem têm a obrigação de tentar perceber o que o outro pretende. Até o seu marido, os seus pais e os seus amigos mais próximos, não podem saber exatamente o que se passa na sua cabeça no momento preciso em que deseja algo. 

Quer ter uma festa de aniversário? Diga-o às pessoas. Os seus amigos e familiares terão muito gosto em fazer uma surpresa para si! 

Por outro lado, se está sempre a dizer que os aniversários não têm qualquer significado para si, que deixou de contar os anos, etc., então não se surpreenda se o seu marido se esquecer de lhe dar um presente. 

Imaginemos que existe uma vaga no seu emprego que lhe interessa muito. Não fique à espera de que lha ofereçam. Vá falar com o seu superior e diga-lhe aquilo que pretende. Explique como faria esse trabalho e por que razão se sente habilitado para o fazer. 

Talvez o auto-sacrifício e a modéstia sejam virtudes cristãs, mas pode ter a certeza de que não foi isso que deu a coroa a Napoleão nem o que permitiu a Lula governar durante 
dois mandatos o Brasil.